Gustavo Gayer - Preso dirigindo bêbado, acusado de homicídio e irmão de assassino

Preso dirigindo bêbado, acusado de homicídio e irmão de assassino: a trajetória do bolsonarista Gustavo Gayer


O youtuber e deputado federal bolsonarista Gustavo Gayer (PL-GO) se define como um conservador, cristão, defensor da família e combatente dos criminosos da nação. Foi com essas bandeiras que se candidatou a prefeito de Goiânia em 2020, pelo Partido da Democracia Cristã, quando obteve 8% dos votos e deu início à sua carreira política. Com as mesmas máximas, se elegeu deputado em 2022.

O que não consta em seu discurso nem jamais é tratado em seus vídeos é que ele e sua família possuem um histórico obscuro de problemas com a Polícia e com a Justiça, que incluem processo por homícidio, prisão por dirigir embriagado, irmão condenado por assassinato, brigas de faca entre familiares e até o suicídio de um avô-deputado em plena Câmara dos Deputados.

No dia 16 de julho de 2015, o deputado (então empresário) bateu sozinho seu Toyota Corolla à 1h30 da manhã, na avenida 85, em Goiânia. Ele perdeu o controle do carro e colidiu no meio-fio e em uma proteção de um ponto de ônibus. Com o acidente, o pneu dianteiro esquerdo estourou, e toda a parte da frente do veículo foi danificada, o que não impediu o parlamentar de seguir trafegando com seu Corolla.

Uma viatura da polícia presenciou o acidente e solicitou que ele parasse, no que não foi atendida, dando início a uma perseguição que se estendeu por alguns quilômetros, até que ele finalmente resolveu parar, na Avenida T-63 da capital goiana.

Assim que os policiais abordaram o condutor, notaram sinais de embriaguez do hoje deputado, então submeteram-no ao texte do bafômetro, momento em que foi constatado que Gustavo Gayer estava bêbado. Resultado: foi preso em flagrante, sendo posteriormente posto em liberdade com o pagamento de fiança.

As informações acima constam em documentos oficiais da Polícia Civil e do Ministério Público de Goiânia, como se pode ver nos trechos reproduzidos abaixo.

Crédito: MP-GO
Crédito: MP-GO

A prisão dirigindo bêbado e batendo sozinho no meio-fio não foi o primeiro acidente de trânsito em que Gustavo Gayer se envolveu. No dia 26 de novembro de 2000, ele atropelou uma pessoa no município de Rialma, a 183 quilômetros da capital goiana. A vítima veio a morrer em virtude dos ferimentos, e Gustavo Gayer foi processado por homicídio culposo (sem a intenção de matar), nos termos dos artigos 302 e 303 do Código Brasileiro de Trânsito:

Código Brasileiro de Trânsito

Seção II
Dos Crimes em Espécie

Art. 302. Praticar homicídio culposo na direção de veículo automotor:

Penas – detenção, de dois a quatro anos, e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor. 

Art. 303. Praticar lesão corporal culposa na direção de veículo automotor:

Penas – detenção, de seis meses a dois anos e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.

Por este fato, o parlamentar não chegou a ser inocentado nem condenado, posto que o processo penal se estendeu por tempo demais, ultrapassando o prazo prescricional dos crimes, sendo, portanto, extinto sem o julgamento do mérito. Veja abaixo trecho de documento do Tribunal de Justiça de Goiás.

Após se arrastar por dez anos, processo de Gustavo Gayer por homicídio culposo prescreveu (fonte: TJ-GO)

Irmão policial foi condenado por duplo homicídio e esfaqueou a mãe

Gustavo Gayer não é a única pessoa em sua família que já foi parar atrás das grades. Um de seus irmãos, o ex-policial civil de Goiás Frederico Gayer, em abril de 1997, foi armado à boate Draft, localizada no Setor Oeste de Goiânia, onde uma briga entre a vitima e o acusado teria começado após as fichas de consumo dos dois clientes serem trocadas por engano pelo atendente do caixa do estabelecimento.

O mal entendido teria sido resolvido na boate, mas Frederico saiu da casa de eventos e esperou do lado de fora da boate, armado. O réu teria aguardado cerca de dez minutos até que a vítima saiu da Draft, e os dois discutiram novamente, momento em que o tiro teria sido disparado.

O processo se arrastou por 17 anos, até o dia 17 de março de 2014, tempo em que o acusado permaneceu em liberdade, Ele só foi preso após ser condenado em segunda instância (já havia sido condenado em primeiro grau).

Frederico Gayer foi condenado a 12 anos e 6 meses de prisão em regime fechado a ser cumprido na Penitenciária Odenir Guimarães, em Aparecida de Goiânia, região metropolitana da capital goiana.

Antes disso, enquanto aguardava seu julgamento, o irmão de Gayer chegou a esfaquear o seu padrasto e a própria mãe, durante uma discussão de família. A vítima, a ex-deputada e delegada de Polícia Maria da Conceição Gayer, teve que ser hospitalizada, mas sobreviveu, em incidente que foi narrado em processo pelo promotor público que acusou Frederico Gayer pelo homicídio na boate. Veja vídeo abaixo.

Finalmente, o avô de Gustavo Gayer, também deputado federal Plínio Gayer, cometeu suicídio dentro do prédio da Câmara dos deputados em 8 de julho de 1953, no Rio de Janeiro, então capital do país.

Inicialmente, espalhou-se uma notícia falsa de que o parlamentar havia cometido o ato extremo porque estava acometido de um câncer terminal, o que veio a ser desmentido posteriormente pelo resultado da autópsia.

Na realidade, o avô de Gayer sofria de alucinações, e tirou a própria vida em um surto agudo da doença mental. Veja abaixo reprodução de um jornal carioca da época que deu conta da notícia.

Plínio Gayer, ex-deputado federal e avô de Gustavo Gayer, cometeu suicídio no prédio da Câmara dos Deputados, em 1953 (crédito: reprodução)

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Deputado acusado de matar 2 pessoas bêbado faz ataque xenofóbico ao Nordeste

Gustavo Gayer no podcast e com Bolsonaro. Instagram 

Eleito na esteira fascista de Jair Bolsonaro (PL), o deputado Gustavo Gayer (PL-GO) poderia ter sido preso em flagrante durante sua participação no podcast "3 Irmãos", de Rodrigo Tiorró, quando destilou ódio racista afirmando que "o QI dos africanos e dos brasileiros é mais baixo do que o dos macacos e que, por causa disso, é que países africanos e o Brasil não dão certo".
"Poderia ter sido preso em flagrante no momento que cometeu o crime. Mas agora cabe a instauração de inquérito policial e o Ministério Público pode pedir a prisão preventiva, principalmente pra evitar novas declarações criminosas e discursos de ódio", disse à Fórum Ariel de Castro Alves, advogado, especialista em Direitos Humanos e Segurança Pública. Membro do Grupo Tortura Nunca Mais.


Alves afirma que na declaração, Gayer "pratica, incita, induz e faz apologia de discriminação racial (negros) e por procedência nacional (africanos)", em claro ato de racismo e xenofobia. A pena prevista é de 3 anos de prisão, mas pode ser estendida pelo crime ter sido cometida em rede social.

"Por ter cometido através meios de comunicação e redes sociais, a pena dele pode chegar a cinco anos de prisão", afirma Alves.

Advogado criminalista, Sergio Augusto de Souza afirma que além de cometer crime de racismo, Gayer revela toda sua ignorância em relação à história dos países africanos.

"Esse ser desconhece a formação das países africanos pilhado e dividido por nações cujo modelo de democracia ele cita. Países que foram formados literalmente na marra obrigando etnias e grupos rivais, muitas vezes armados pelas 'democracias' citadas, ao convívio debaixo de um mesmo Estado", diz Souza.

"No mais, vejo ocorrência do crime de racismo, sim. Diferente do que se costuma alegar no caso de injuria racial, quando a ofensa é dirigida ao indivíduo, o Racismo é dirigido à coletividade, um grupo étnico ou nação. O discurso enunciado é claro! Ele fala dos africanos, os compara a macacos e faz menção ao 'reduzido Q.I'. Identificamos tal discurso na ideologia supremacista que perseguiu e matou milhões de pessoas durante os anos da Segunda Guerra. Não há dúvida quanto a ocorrência do crime. E nesse caso, consumado o crime diante das lentes das câmeras, não há necessidade de representação pois a a ação penal passa a ser pública incondicionada e, portanto, o Estado tem interesse em punir tal conduta. O Ministério Público tem obrigação de promover essa denúncia", emenda o advogado.

Souza ainda chama a atenção para o crime ter sido praticado fora da esfera legislativa. Dessa forma, segundo ele, "não cabe alegar qualquer imunidade parlamentar". Gayer ainda pode ser preso, segundo o criminalista, caso reitere a conduta criminosa.

Além da possibilidade de ser preso, o deputado pode também ter seu mandato cassado. A deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) afirmou nesta quarta-feira (28) que vai entrar com um pedido de cassação de Gayer no Conselho de Ética da Câmara.

"Entraremos hoje com o pedido de cassação do Deputado Gustavo Gayer no Conselho de Ética da Câmara. A Câmara não pode ser espaço para racistas! Ele deveria ser preso, além de perder o mandato", afirmou a deputada.

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