Qual seria o grande "perigo comunista"???

Promover uma sociedade igualitária em que todos os cidadãos tenham os mesmo direitos e a mesmas oportunidades?

Promover a distribuição de renda?

Promover o respeito a todas as pessoas, independentemente de qualquer critério?

Realmente, é um perigo enorme para aqueles que só pensam em concentrar riquezas, explorar mão de obra barata/escrava, manipular a população.

Um risco enorme aos gananciosos, egoístas, invejosos. 

Uma imensa ameaça ao capitalismo predatório.

Vamos lembrar que não existe nenhuma 'país comunista'. O Comunismo pressupõe a ausência de estado e de classes sociais. 

Portanto, é importante desconstruir os estereótipos e o medo infundado em torno do comunismo. Promover a igualdade, a justiça social e o respeito aos direitos humanos não pode ser considerado um perigo, mas sim um avanço para a sociedade. É fundamental reavaliar e questionar as narrativas e discursos que propagam o medo do comunismo, e buscar entender seus reais objetivos e valores.

O terror criado em torno do comunismo veio daqueles que não querem a distribuição de renda, igualdade e desenvolvimento social, liberdade, evolução do conhecimento, para poderem manter seu poder e privilégios. Esses são os verdadeiros "perigos" do comunismo para aqueles que buscam apenas o lucro e a dominação.

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Primeiramente, o que devemos entender por socialismo e comunismo? Socialismo é a passagem do capitalismo e do regime da propriedade privada dos meios de produção para a propriedade SOCIAL, isto é, sob o controle público de um órgão público, o Estado; comunismo é a conclusão dessa passagem, com a extinção do Estado e da atividade mercantil, ou seja, produzir para trocar mercadorias.

Convenhamos, nunca existiu e nem poderia existir comunismo em país nenhum, pois, conforme o fundador da teoria sobre o assunto, Karl Marx, só é possível instalar o comunismo simultaneamente em todos os países, jamais em um ou em alguns, afinal, no comunismo não existe mercadoria, dinheiro e ordem jurídica, o que impossibilita uma realidade dessa apenas um país.

Portanto, somente o socialismo é possível de ser instalado em um país.

Mas, quem foi que disse que algum dia estivemos ou que estamos na iminência de instalar o socialismo no Brasil? Ora, os governos do PT não foram governos sequer de esquerda, mas de coalizão com partidos de centro e de direita (PMDB, PP, PTB e outros). Nenhum banco, indústria ou fazenda foi estatizada, e sequer havia algum programa de por fim à propriedade privada dos meios de produção.

Bolsonaro e a extrema-direita dizem essas bobagens a respeito do assunto não apenas por que são ignorantes e debiloides, mas porque eles querem implantar no país uma forma de governo que favoreça de forma mais radical os interesses da elite financeira, industrial e agrária. Basta ver o ódio que essa elite rica tem contra a esquerda e a devoção histérica em favor de Bolsonaro e de suas políticas contra a esquerda para desconfiar do que estou tentando dizer.

Por isso, seus seguidores vivem demonizando tudo que represente alguma forma de controle do capital, de distribuição de renda e de combate à pobreza, alegando que são ideias "comunistas". Veja a cretinice: demonizar ideias que visam simplesmente aumentar salários e o controle do Estado sobre a exploração capitalista, visando evitar que os mais fortes esmaguem os mais fracos.

Essa histeria de "perigo vermelho", rodeada de fake news, bem revela que, na realidade, nunca estivemos diante de um autêntico e livre debate de ideias e projetos, mas de manipulação da ignorância das multidões.

Nós temos no Brasil uma burguesia altamente exploradora que usou o Estado como balcão dos negócios. Com a chegada da República e do regime jurídico protetivo dos trabalhadores, os filhos dos donos de escravos mantiveram o controle do Estado para conservar seus antigos privilégios.

Sempre odiaram não apenas os comunistas, mas todos os partidos e ideias que se opuseram a tais privilégios, e, com a ajuda dos militares, intervieram na República desde 1889, sempre prontos a abortar qualquer movimento que colocasse em xeque essa perversa pirâmide social onde apenas uma minoria tem acesso aos frutos do trabalho de milhões de brasileiros.

https://qr.ae/psDVdt

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Roberto Slomka

Define-se como Socialismo o regime econômico baseado em:

Socialização dos meios de produção: seja no âmbito industrial ou agrícola, através da desapropriação da propriedade privada. Em 14 anos de governo do PT, nada apontou para uma estatização dos meios de produção, pelo contrário a reforma agrária foi pífia, próxima do governo FHC durante a era Lula, e bem abaixo durante a era Dilma. Não houve no período todo estatização da economia, pelo contrário. Durante os governos do PT foi fomentada a produção industrial (privada) até com grande desoneração fiscal (em detrimento social) no governo Dilma. Nada indica que esse quadro se modificaria caso o PT fosse eleito com Haddad, em cujo plano de governo constava o fortalecimento do empreendedorismo, entre outras políticas de produção voltadas para o privado.


Abolição da propriedade privada: como a propriedade sobre os meios de produção é social, da mesma forma, o fruto da produção é comum, não particular. Durante os governos do PT a propriedade privada foi privilegiada com financiamento para aquisição de casas para a população de baixa renda, enquanto a propriedade produtiva cresceu consistentemente, nada indicando uma reversão neste contexto. Inclusive o número de empreendimentos cresceu, conforme o SEBRAE e o IBGE. Nada


Extinção das classes sociais: como não há propriedade privada, todos seriam iguais no socialismo, não havendo distinção entre patrões e empregados, entre capital e trabalho. Nem de longe isso ocorreu no Brasil, pelo contrário, as oligarquias de sempre continuaram confortáveis.

Planificação estatal da economia: como os meios de produção são propriedade estatal, todo planejamento econômico fica a cargo do Estado, que intervém massivamente na economia, definindo produção, preços e até salários. Aí reside um ponto de discussão porque os neoliberais radicais sustentam que o Estado não deve interferir em NADA na economia, deixando ao mercado sua autorregulação. 

Essa linda lenda pode até funcionar em países cuja sociedade seja equilibrada e com mínima desigualdade, como na Noruega, na Finlândia ou na Dinamarca, porém, o contexto social no Brasil ainda é MUITO refém das mazelas criadas pelas políticas estatais da extração colonial, da escravatura, do branqueamento (que deu subsídios para europeus se estabelecerem aqui enquanto largaram à míngua, sem auxílio nem políticas inclusivas os milhões de escravos recém-"libertos" ao fim do período imperial). Creio eu que a grande motivação para se criar o "perigo comunista" é abrir caminho para os ultraliberais deitarem e rolarem.

Então, Bolsonaro precisa de um discurso desses para aparecer como o "salvador" de uma situação que absolutamente não existiu. Aí fica fácil posar de herói, ao mesmo tempo que justifica aos olhos do pouco sagaz as mazelas que vêm com o kit, "Ah, tem esse lado ruim e tal, mas PELO MENOS não viramos a Venezuela", como se fosse possível.

Não é de hoje que as forças conservadoras se apegam a fantasmas para assustar os impressionáveis, tanto aqui quanto no mundo todo. Nada de novo debaixo do sol.

https://qr.ae/psDxFQ

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