Fascismo

A falta de coesão do nazismo e do fascismo se manifesta, também, no fato de que esses termos (especialmente o segundo) são usados de maneira muito ampla, para descrever movimentos e ideologias políticas muito diferentes entre si — e que inclusive mudaram de orientação ao longo do tempo.


 São considerados fascistas (ou pelo menos fascistoides) não somente o regime nazista, de Adolf Hitler, mas, também:

  • O governo nacionalista austríaco, de Engelbert Dolfuß (1932–1938)
  • O movimento paramilitar "Guarda de Ferro" (1927–1941) e o regime de Antonescu (1940–1944), na Romênia.
  • A Falange Cristã, de Francisco Franco e o regime que fundou na Espanha (1935–1975)
  • O Estado Novo Português, liderado por Francisco Salazar e depois por Marcelo Caetano (1930–1975)
  • O Estado Novo Brasileiro, liderado por Getúlio Vargas (1937–1945) e o Movimento Integralista Brasileiro (1932–1938, na clandestinidade por mais algumas décadas, talvez até hoje)
  • A União Britânica de Fascistas, de Oswald Mosley (1925–1939).
  • O regime Antanas Smetonas, na Lituânia (1926–1940)
  • A Falange Libanesa, de Pierre Gemayel, posteriormente liderada por seu filho Amin, um partido político nacionalista existente desde 1936.
  • O regime de Augusto Pinochet, no Chile (1973–1989)
  • A ditadura brasileira, especialmente sob Costa e Silva e Garrastazu Médici.
  • O regime de Juan Domingo Perón, na Argentina (1945–1955), que, inclusive, deu guarida a muitos nazistas e fascistas refugiados.
  • Vários movimentos ultranacionalistas indianos que reivindicam abertamente inspiração em Hitler e Mussolini.
  • O partido nacionalista pan-árabe "Baath", cujo último grande líder foi Saddam Hussein.
  • O partido político Arena, no contexto da guerra civil salvadorenha (1979–1992)
  • O Partido Nacional sul-africano, o impulsionador do regime do apartheid, especialmente nos períodos sob as lideranças de Daniel François Malan (1934–1953), Hendrik Verwoerd (1958–1966), B. J. Vorster (1966–1978) e Piether Botha (1978–1989).
  • O movimento político Tea Party, dos Estados Unidos (2009–2016), que desembocou no trumpismo (2014–)

As ideias fascistas não seguem um modelo rígido, mas se adaptam às circunstâncias. Se na Alemanha, na Lituânia, na África do Sul e na Áustria o fascismo se manifestou com um aspecto racista e eugenista; na Itália, Romênia, Lituânia, Portugal e Espanha o aspecto central foi o conservadorismo católico. Alguns desses movimentos foram nacionalistas no sentido belicoso, como na Itália e na Alemanha, mas outros foram nacionalistas no sentido da construção da identidade nacional (Líbano, Estado Novo no Brasil, regimes do Baath).

Existe uma quantidade mínima de características que são usadas para definir o fascismo. Conservadorismo, populismo e nacionalismo estão entre essas características, porém as manifestações dessas características não seguem um rito claro — como vimos.

Portanto, a falta de coesão ideológica não é motivo para afirmamos que o bolsonarismo foge à classificação como fascismo.

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