Policia Militar assassina morador de rua a sangue frio
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Sem áudio, abordagem que terminou com execução de morador em situação de rua em São Paulo durou uma hora
Policiais argumentaram que vítima tentou agarrar a arma de um dos agentes, o que foi desmentido por imagens da câmara corporal de um dos agentes
Por Matheus de Souza
06/08/2025 18h02 Atualizado há 3 dias
A abordagem policial que resultou na morte do morador de rua Jeferson de Souza, de 24 anos, em São Paulo, durou quase uma hora. Rendido e sob a mira de um fuzil, imagens da câmera corporal dos agentes envolvidos no caso mostram que o morador de rua foi encontrado por volta das 20h27 do dia 13 de junho, embaixo do Viaduto 25 de Março, na região central da cidade. Após uma hora de conversa, às 21h25, o agente cobre a câmera enquanto o outro realiza a execução sumária da vítima. O caso chocou a capital paulista.
Toda a abordagem foi registrada sem áudio, pois a função só começa a funcionar após o agente pressionar o botão de gravação da câmera corporal — o que, neste caso, foi feito somente após os disparos. Antes disso, todas as imagens estavam sendo captadas de forma automática e enviadas para um sistema central da polícia.
Na abordagem, o morador de rua foi levado para a parte de trás de uma pilastra, longe da vista dos carros que atravessavam a avenida. Durante a hora em que esteve sob a mira dos policiais, foram tiradas fotos de Jeferson, que estava desarmado. Ele chorou pouco antes da execução.
— A gente estava trocando ideia, ideia, ideia... Quando ele viu que ia perder, tentou a sorte. O cara é louco — justificou um dos policiais, logo após a chegada de outras viaturas e de uma ambulância ao local, quando foi iniciada a gravação da abordagem.
— Pior que eu estava querendo liberar o cara — completou o oficial.
Um dos policiais que chegaram após o ocorrido atentou para o fato de que as imagens estavam sendo gravadas e enviadas à central de monitoramento. Um outro agente diz então que é “preciso dar uma olhada” nas gravações.
Policiais estão presos
Jeferson foi enviado à Santa Casa de Misericórdia, mas não resistiu aos ferimentos. O tenente Alan dos Santos Moreira, 25, e o soldado Danilo Gehrinh, 24, foram presos no final de julho, após imagens das câmeras corporais desmentirem a versão apresentada no boletim de ocorrência sobre o caso.
No boletim, eles diziam que Jeferson estava alterado e que o morador de rua teria tentado agarrar a arma de um dos policiais, o que motivou os disparos.
Jeferson era natural de Craíbas, município do interior de Alagoas, e deixou a cidade em 2019, após a morte de sua mãe. Em São Paulo, trabalhou em pizzarias, mas depois ficou em situação de rua.
— A minha mãe faleceu. A gente não tem mãe nem pai. Ele foi embora em busca de trabalho. Ele tinha um sonho muito grande de ser jogador de futebol. Foi em busca de melhora (de vida) — afirmou ao SP1 a irmã de Jeferson, Micaele Soares.
Dois meses após o caso, a família de Jeferson tenta levar seu corpo, que está no Instituto Médico Legal (IML), em São Paulo, de volta para Alagoas. O valor do translado é de cerca de R$ 15 mil, e a família espera conseguir ajuda da Defensoria Pública de São Paulo para realizar a transferência.
Os dois policiais estão detidos no Presídio Militar Romão Gomes. A defesa do tenente Alan disse que “a ação policial decorreu de legítima defesa e que isso será demonstrado ao tribunal do júri”. A defesa do soldado Danilo afirmou, em nota, que “por ora, não se manifestará sobre a investigação, uma vez que não tivemos acesso aos autos em sua totalidade, entendendo, assim, por se manifestar apenas nos autos do processo”.
Ministério Público afirma que o cidadão em situação de rua foi vítima de execução sumária.
“É certo que os denunciados Alan e Danilo, policiais militares no exercício de suas funções, agiram impelidos por motivo torpe, deliberando matar o suspeito por mero sadismo e de modo a revelar absoluto desprezo pelo ser humano e pela condição da vítima, pessoa em situação de vulnerabilidade social. O homicídio foi cometido com emprego de recurso que impossibilitou a defesa da vítima, a qual já estava rendida e subjugada pela guarnição no momento em que foi repentinamente alvejada”, observou o promotor.
Vídeo da câmera na farda de polícial em SP mostra o policial tapando a câmera e depois executam um morador de rua. Se fazem isso com câmera, imagina sem. pic.twitter.com/vfImDs00jJ
— Pedro Ronchi 🇧🇷 (@PedroRonchi2) August 5, 2025
SP: Moradores exigem fim de pedágio em rodovia e PM responde com agressões e repressão – A Nova Democracia
Os manifestantes, dentre idosos, jovens, mulheres, ergueram cartazes exigindo seus direitos, com as frases “Meu IPVA vai pra onde?” e “Metrô sim! Pedágio não!” foi levada pelos manifestantes.
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A mira dos fuzis permanece a mesma: 52% das vítimas eram negras e 58,4%, com idade média de 19 a 35 anos, enquanto 9% eram menores de idade. Os fuzis em questão, também vêm de lugares bem específicos; desde 2023, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) já gastou R$37,3 milhões em contratos com três empresas de guerra israelenses: a Meprolight,que vendeu 6,1 mil unidades de dispositivos de mira de armas de fogo, a Israel Weapons Industries (IWI), na qual foram compradas 6 metralhadoras e 22 fuzis e a Cellebrite, que produz softwares de espionagem, recuperação de dados apagados de dispositivos, monitoramento digital e de reconhecimento facial. A Polícia Militar de São Paulo segue sendo a quinta mais letal do país.
O Governo Militar Secreto
Publicado originalmente em 1987 por Nelson Werneck Sodré, grande historiador marxista do Brasil, o livro desnuda o que há por detrás das eleições, do parlame…
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Imagens de câmeras corporais da Polícia Militar expuseram o assassinato do morador de rua Jeferson de Souza, por dois policiais militares. O vídeo mostra que ele estava desarmado, chorando e rendido quando foi fuzilado sob o Viaduto 25 de Março, zona central da capital paulista. O caso ocorreu no dia 13 de junho e só veio a ganhar notoriedade ao final de julho, quando as imagens das câmeras foram divulgadas, contrariando a versão da PM. Os responsáveis pelo fuzilamento são o tenente Alan dos Santos Moreira e o soldado Danilo Gehrinh, e foram presos por homicídio qualificado.
A juíza Patrícia Álvarez Cruz, responsável pela prisão dos dois PMs, afirma que “os réus Alan Wallace e Danilo, policiais militares no exercício de suas funções, agiram impelidos por motivo torpe, deliberando matar o suspeito por mero sadismo e de modo a revelar absoluto desprezo pelo ser humano e pela condição da vítima, pessoa em situação de vulnerabilidade social”. Jeferson, em momento algum, representou ameaça durante a abordagem, não possuía antecedentes criminais e cumpriu as ordens de rendição dos policiais.
O vídeo registra o momento em que o morador de rua, desarmado e já rendido, é abordado pelos policiais. Durante cerca de uma hora, os agentes o interrogam, fotografam seu rosto e conduzem a conversa em um ponto mais visível de uma das pilastras do Viaduto 25 de Março. Em seguida, eles o levam para a parte de trás da pilastra, momento em que a vítima começa a chorar.
Por volta das 21h25, o tenente Alan dispara três vezes com um fuzil contra Jeferson, atingindo-o no braço, tórax e na cabeça. As imagens provam que a alegação da PM, de que ele teria tentado tomar a arma do soldado Danilo, é inteiramente falsa. No instante dos disparos, Danilo tenta obstruir a gravação da câmera corporal de Alan. Depois do assassinato, uma viatura do Corpo de Bombeiros e outras da PM chegaram ao local e, no vídeo, é possível ouvir conversas em tom descontraído entre eles, exibindo normalidade com as atrocidades cometidas pelas hordas militares.
Jeferson era migrante da cidade de Craíbas, interior de Alagoas, e há seis anos mudou-se para São Paulo em busca de melhores oportunidades de emprego, e tinha o sonho de ser jogador de futebol. Sua irmã, Micaele, conta que “Desde que eu vi essas imagens, a cena está todinha na minha cabeça, não estou conseguindo dormir nem comer. É uma dor que não tem explicação. Que para sempre vai ficar marcado na minha vida, da forma que ele morreu, tão cruel.”
Histórico de repressão e assassinatos
Não é de hoje que a Polícia Militar de São Paulo comete crimes bárbaros como esse, pelo contrário, é cada vez mais comum reconhecer essa instituição em notícias do tipo. Segundo dados oficiais, a PM é responsável por 1 a cada 4 homicídios em São Paulo no primeiro semestre, período em que as hordas da PM de São Paulo assassinou 365 pessoas, 26% dos casos totais na região.
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