Banco Master
O escândalo envolvendo o Banco Master, investigado pela Polícia Federal (especialmente na Operação Compliance Zero), aponta para uma ampla rede de influência que abrange políticos de diversos espectros, com destaque para a direita e o Centrão, além de conexões com o Judiciário. O banco, controlado por Daniel Vorcaro, é suspeito de fraudes bilionárias, manipulação de balanços e venda de ativos inexistentes.
As informações com base nas investigações até março de 2026 apontam os seguintes nomes e conexões:
Políticos e Figuras Públicas Citadas:
Flávio Bolsonaro (PL): Teve seu nome citado na lista de contatos do dono do banco, Daniel Vorcaro.
Nikolas Ferreira (PL): Apareceu na agenda do controlador do Banco Master.
Arthur Lira (PP): Citações na agenda de Vorcaro foram reportadas.
Altineu Côrtes (PL-RJ): Mencionados em reportagens sobre as conexões do banco.
Ciro Nogueira (PP-PI): Citado por supostas ligações com Vorcaro.
Antônio Rueda (União Brasil): Presidente do partido, mencionado na agenda do dono do banco.
Guido Mantega (PT): Ex-ministro da Fazenda, contratado como consultor do Master e intermediário de encontros entre Vorcaro e o presidente Lula.
Ibaneis Rocha (MDB): Governador do Distrito Federal, teve seu nome ligado a negociações com Vorcaro para a compra do Banco Master pelo BRB.
Envolvidos com o Judiciário e Operações:
Daniel Vorcaro: Dono do Banco Master, alvo principal das investigações por gestão fraudulenta, teve prisão mantida pela Justiça em março de 2026.
Ricardo Lewandowski: Escritório de advocacia ligado ao ex-ministro recebeu valores do banco, segundo a Wikipédia com base em fontes da imprensa.
Viviane Barci de Moraes: Esposa do ministro Alexandre de Moraes, teria contrato com o banco, conforme investigações citadas.
Dias Toffoli e Nunes Marques: Nomes mencionados em agendas do dono do banco.
Fabiano Zettel: Cunhado de Vorcaro, preso na operação e apontado como operador financeiro.
Prefeituras e Estados Envolvidos
Estado do Rio de Janeiro/RJ – R$ 970 milhões
Amazonprev aplicou R$ 50 milhões no Banco Master antes da liquidação decretada pelo Banco Central
Estado do Amapá/AP – R$ 400 milhões
Maceió/AL – R$ 97 milhões
São Roque/SP – R$ 93,15 milhões
Cajamar/SP – R$ 87 milhões
Itaguaí/RJ – R$ 59,6 milhões
Estado do Amazonas/AM – R$ 50 milhões
Aparecida de Goiânia/GO – R$ 40 milhões
Araras/SP – R$ 29 milhões
Congonhas/MG – R$ 14 milhões
Fátima do Sul/MS – R$ 7 milhões
Santo Antônio de Posse/SP – R$ 7 milhões
Imbituva/PR – R$ 4 milhões
Paulista/PE – R$ 3 milhões
São Gabriel do Oeste/MS – R$ 3 milhões
Jateí/MS – R$ 2,5 milhões
Angélica/MS – R$ 2 milhões
Santa Rita d’Oeste/SP – R$ 2 milhões
Campo Grande/MS – R$ 1,2 milhão
Contexto do Escândalo
Segundo as investigações, as mensagens revelam um ajuste de valor
milionário a título de corrupção e que precisaria corresponder a um número de
imóveis luxuosos.
A investigação da Polícia Federal (PF) que resultou na prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, apontou que "há fortes indícios" de que ele e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, "ajustaram um valor milionário a título de corrupção".
As mensagens trocadas entre os dois, mostrando que imóveis milionários de luxo fariam parte de um suposto acerto, surpreenderam até investigadores com quem o blog conversou. Chamou atenção a naturalidade com que Vorcaro e Paulo Henrique conversavam sobre corrupção e lavagem de dinheiro.
O documento obtido pelo blog com o conteúdo das conversas faz parte da
nova fase da Operação Compliance Zero deflagrada pela PF, que prendeu o
ex-presidente do BRB nesta quinta-feira (16).
'Preciso dele feliz'
Em outro trecho das conversas em que Vorcaro e Paulo Henrique negociam detalhes sobre os imóveis, o ex-diretor do BRB disse ter ficado decepcionado por não conseguir visitar um dos apartamentos. Segundo a investigação, isso fez o dono do Master procurar a corretora de imóveis dizendo que precisava de Paulo Henrique "feliz"
O BRB é um banco público controlado pelo governo do Distrito Federal. Ele aparece no caso Master por ter sido o principal interessado na compra do banco de Daniel Vorcaro.
Paulo Henrique Costa é suspeito de não seguir práticas de governança e permitir negócios com o Banco Master sem lastro.
O conteúdo das conversas, que inclui desde planos de carreira futuros até a escolha de materiais de construção, é apontado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como prova de que o executivo atuava como um "verdadeiro mandatário" de interesses privados dentro do banco público.
Em uma das conversas, Paulo Henrique agradece a Vorcaro pelo "alinhamento pessoal" e afirma estar "empolgado com o que vamos construir"
Em seguida, Daniel Vorcaro responde:
DANIEL VORCARO: “Fala amigo, ótimo, também estou empolgado. Vou alinhar tudo com Daniel. Vou te passar uma pessoa que te mostrará o apto”.
PAULO HENRIQUE: “Fechado! Obrigado”.
Os diálogos também mostram que os imóveis de luxo não eram apenas
investimentos abstratos, mas faziam parte de um "cronograma pessoal".
Ex-presidente do BRB teria recebido imóveis avaliados em R$ 146 milhões em suposto esquema, aponta investigação
Paulo Henrique enviou mensagens relatando visitas às propriedades em São
Paulo, acompanhado da esposa. Em um trecho, ele comenta que a esposa estava
"meio cismada" com uma das unidades e pede para olhar outra para ter
"parâmetro".
PAULO HENRIQUE: “Estive no outro hoje de manhã. A esposa ainda está meio cismada. Seria ótimo olhar outro para construir uma referência”.
DANIEL VORCARO: “Por quê?”
PAULO HENRIQUE: “Hoje estava com a região toda fechada. Seria bom dar o parâmetro”.
DANIEL VORCARO: “Ah tá. Esse outro é uma cobertura. Já pensando trazer família.”
PAULO HENRIQUE: “Eu venho na frente mesmo e elas vêm depois. Boa.“
DANIEL VORCARO: “Vale a pena ver”
PAULO HENRIQUE: “Claro. Qual o empreendimento?”
DANIEL VORCARO: “Outra coisa, quando tiver um tempinho aí final de semana, veja se conseguimos falar. Esta semana estou com um gargalo de 300mm na quarta, queria bolar contigo o que acha que poderíamos conseguir fazer”.
PAULO HENRIQUE: “Meu foco é nisso nessa semana. Já monto uma estrutura na segunda com a equipe. O que ainda temos de carteira varejo? E aí equilibro com PJ”.
DANIEL VORCARO: “Vou levantar aqui com minha turma. E te volto.”
Enquanto cobrava celeridade na entrega dos imóveis, Paulo Henrique
tranquilizava o empresário sobre sua atuação no BRB, afirmando estar
"focado na agenda que combinamos" e "tratando de carteira de
outro lado".
Em outro momento de pressão, Vorcaro questiona se ele ainda tinha interesse no negócio (deal), ao que o então presidente do banco responde: "Estou com vc. Continuo no deal mode. Estou virando noite e tentando resolver".
Do montante, cerca de R$ 74 milhões foram
efetivamente pagos. Segundo a investigação, o pagamento total dos valores
acordados entre Daniel Vorcaro e Paulo Henrique não se concretizou porque o
banqueiro soube "da instauração de procedimento investigatório sigiloso
para apurar, exatamente, o pagamento de propina" ao ex-presidente do BRB
por meio da aquisição e repasse de imóveis.
Ao todo, os investimentos foram feitos em 184 contas de 67
fundos de investimento diferentes. Fundos ligados a Reag receberam R$ 5,3
bilhões, cerca de 44% do total aplicado.
Por Vinícius Cassela, Caetano Tonet, g1 — Brasília 14/04/2026 10h00
Desse total, 44% foram apenas para fundos ligados à Reag.
No mesmo período, o Master sacou R$ 6,8 bilhões, enquanto Vorcaro sacou R$ 581 milhões de todas as aplicações que fez. Ao todo, os investimentos foram feitos em 184 contas de 67 fundos de investimento diferentes.
Os dados foram enviados pela Receita Federal à CPMI que investigou os desvios em aposentadorias e pensões pagas pelo INSS e que foi encerrada no dia 27 de março.
Eles fazem parte da e-financeira, um conjunto de dados que traz informações a respeito de contas bancárias, de investimento, consórcio e etc.
A Reag também foi alvo da Operação Compliance Zero, a mesma
que investiga o Master e que levou Vorcaro à prisão em 4 de março.
A suspeita dos investigadores é que a gestora atuou na
estruturação e administração de fundos suspeitos de movimentar recursos de
forma atípica, inflar resultados e ocultar riscos, com indícios de fraude e
lavagem de dinheiro.
A empresa do setor financeiro também foi alvo da operação
Carbono Oculto, que investiga a máfia dos combustíveis e ligações com o
Primeiro Comando da Capital (PCC).
Em janeiro, o Banco Central decretou a liquidação da Reag
Investimentos.
Principais
investimentos do Master
Ao longo do período informado pela Receita, o Master fez
aplicações bilionárias em dois fundos em que aparece como dono. Um dos fundos é
da Reag e o outro da Trustee. Ao todo, apenas essas duas aplicações totalizaram
R$ 4,9 bilhões.
Quem mais recebeu foi o fundo de investimento de direito
creditório (FIDC) Scarlet, administrado pela Reag. O total pago foi R$ 2,5
bilhões.
Este tipo de fundo tem como objetivo aplicar em direitos a
receber como duplicatas, cheques e empréstimos.
Já o outro fundo que recebeu aporte bilionário do Master foi
Montenegro FIDC, administrado pela Trustee. Ao todo, o banco enviou R$ 2,4
bilhões ao longo do período.
Diferentemente do Scarlet FIDC, que tem cinco cotistas, o
Montenegro tem apenas um cotista, cujo titular é o Master.
Principal
investimento de Vorcaro
O principal fundo destinatário dos recursos de Vorcaro foi o
Hans II FIP MULT, de propriedade da Reag Trust, que faz parte do grupo Reag.
O fundo é comandado por João Mansur, suspeito de fazer parte
da lavagem de dinheiro feita por Vorcaro e pela organização criminosa Primeiro
Comando da Capital (PCC).
Entre os fundos, consta a participação que o banqueiro tem
no clube de futebol Atlético-MG, por meio do fundo Galo Forte FIP, que recebeu
um aporte de Vorcaro de R$ 240 milhões e em dezembro de 2025 tinha um
patrimônio avaliado em R$ 293 milhões.
O Hans II é um fundo de investimento em participações (FIP)
multiestratégia, que são condomínios fechados para uma quantidade definida de
pessoas e que possibilitam investir todo o capital aportado por seus cotistas
em ativos no exterior.
Efeito Master: Tarcísio se cala e cancela ato com Ciro Nogueira após PF colocar aliado no centro do escândalo
A hecatombe causada pela operação Compliance Zero, que colocou Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro (PL), no centro das investigações sobre o caso Master, causou turbulência também na pré-campanha eleitoral de Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos) em São Paulo.
Assim como Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato do grupo político à Presidência, Tarcísio se calou sobre Ciro Nogueira e tratou a ação da PF no Caso Master de forma genérica em breve declaração ao Estadão.
“É um escândalo grave precisa ser apurado, precisa ser investigado, doa a quem doer”, disse Tarcísio. “Todas as pessoas que tem envolvimento precisam ser investigadas”, emendou o governador paulista, sem tocar no nome do aliado.
A ação da PF por pouco não causou um estrago maior na pré-campanha do governador paulista. Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, e Antônio Rueda, que comanda o União Brasil, estariam no ato de apoio à campanha que havia sido marcado para a segunda-feira (4), mas acabou sendo adiado para o próximo dia 11.
Diante da ação da PF, no entanto, Tarcísio, PP e União Brasil cancelaram, até segunda ordem, a agenda conjunta.
Colega de ministério e aliado do governador paulista, Ciro Nogueira tornou-se persona non grata até no PP paulista e foi escondido pelo ex-secretário de Segurança Pública e deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) na divulgação do ato de lançamento da candidatura ao Senado, marcado para o próximo dia 15.
Na arte divulgada nas redes sociais, Derrite coloca apenas Tarcísio e Flávio Bolsonaro, esquecendo de Ciro Nogueira, presidente da própria sigla.
Silêncio
Nas redes, Tarcísio e Flávio Bolsonaro sequer tocam no nome de Ciro Nogueira e temem que a ação da PF avance sobre Rueda, do União Brasil, dificultando ainda mais a “união da direita” em torno do bolsonarismo.
Segundo interlocutores, a campanha de Tarcísio cancelou a locação do espaço de eventos Vila JK, na zona oeste da capital, onde ocorreria o ato.
O governador paulista ainda deve antecipar uma viagem à Brasília para usar como justificativa para cancelamento do evento.
Tarcísio já havia confirmado a presença na posse do ministro Kássio Nunes Marques como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que acontece na terça-feira (12). No entanto, agora deve embarcar para Brasília no dia anterior.
Devassa
A ação da PF que provocou uma devassa na relação criminosa entre o ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro (PL), Ciro Nogueira (PP-PI) e o banqueiro Daniel Vorcaro, causou uma hecatombe na aliança em torno de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que está em pânico com possível nova ação policial contra outro aliado que recebeu mais de R$ 6 milhões no esquema do Banco Master.
Trata-se do presidente do União Brasil, partido de Davi Alcolumbre (União-AP), Antônio Rueda que recebeu R$ 6,4 milhões do banqueiro por meio de escritório de advocacia.
Em nota, Rueda afirma que seu escritório fez “dezenas de pareceres e centenas de reuniões” para justificar o polpudo pagamento recebido do Banco Master, dois dias após afirmar em entrevista que não tinha qualquer relação com Vorcaro.
No texto, o presidente do União, que estava na lista de contatos do celular do banqueiro, admite “contatos sociais eventuais, como ocorre com diversas pessoas do meio político e empresarial”.
No entanto, transcrição de conversas entre o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e Daniel Vorcaro que estão nas mãos dos investigadores mostram que o banqueiro mantinha contato direto com Rueda.
O presidente do União viajou, ao lado de Ciro Nogueira, em helicóptero de Vorcaro para assistir ao Grande Prêmio de São Paulo, evento da Fórmula 1, segundo e-mail interceptado pela PF
Rueda teria sido apresentado a Vorcaro pelo ex-presidente do BRB, que teria intermediado uma conversa entre os dois, segundo troca de mensagens flagrada pela PF.
A interlocutores, segundo o jornal O Globo, Rueda teria dito que ganharia bilhões para ajudar a concretizar a venda do BRB, banco estatal que foi pivô das investigações, ao caso Master.
Além de Rueda, o vice-presidente do União, ACM Neto – atual representante da longeva oligarquia baiana – recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da Reag, empresa de Fabiano Zettel, pastor da Igreja Lagoinha e cunhado do banqueiro.
Os recursos foram repassados ao ex-prefeito de Salvador logo após as eleições de 2022, entre março de 2023 e maio de 2024. ACM Neto diz que os valores são referentes a serviços de consultoria.
Líder do PP sai escondido da casa de Ciro Nogueira
Líder do PP na Câmara, deputado Dr. Luizinho (RJ), foi flagrado se escondendo ao sair da residência de Ciro Nogueira (PP-PI) na tarde desta quinta-feira (7), logo após a ação de busca e apreensão da Polícia Federal.
Embora não seja alvo da operação, Dr. Luizinho foi visto saindo da casa abaixado dentro de um carro, aparentemente para evitar ser identificado. A manobra, no entanto, foi registrada por jornalistas e cinegrafistas, que capturaram a imagem do deputado no interior do veículo.
Após a divulgação das imagens, Dr. Luizinho se manifestou nas redes sociais, afirmando que não estava tentando se esconder, mas não explicou a razão pela qual se encolheu dentro do carro.
“Visitei hoje à tarde o presidente Ciro Nogueira em sua residência p/levar minha solidariedade, não apenas como correligionário, mas também como amigo. Entrei e saí no carro dele, pelo portão principal da residência (com vários jornalistas na frente da casa), em um veículo praticamente sem insulfilm. O fato de eu ter decidido não comentar ou conceder entrevista na porta da residência não significa que tenha entrado ou saído escondido, até pq não haveria qualquer necessidade ou motivo para isso”, escreveu o líder do PP.
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