Por que no governo do PT de 2016 houve R$ 131 bilhões de cortes na Saúde, mas ninguém abriu a boca?

 

Não exatamente cortes. A denúncia do Conselho Federal de Medicina foi a de que o governo teria deixado de usar esse valor. O período estaria entre os anos de 2003 e 2014 (não em um único ano, 2016, como está na pergunta).

Na época o Ministério da Saúde demonstrou que o CFM havia usado metodologia de cálculo equivocada e que, na verdade, 99% das verbas previstas no Orçamento foram utilizadas. Texto sobre ‘desvio’ bilionário de recursos da saúde fala de realocação de verbas, não de roubo - Agência Mural


Ao usar a palavra “cortes”, o perguntador Matheus Martins tem a má intenção de equiparar malfeitos do governo anterior, intensamente criticados, com possíveis falhas parecidas nos governos petistas.


SIGNIFICADOS

O corte de verba tem significado diferente de contingenciamento e muito distinto de “não uso”, que foi a acusação do CFM.

O corte é permanente. Significa que o dinheiro “cortado” deixa de fazer parte da pasta para sempre. No contingenciamento, a verba é bloqueada, mas pode ser descongelada em caso de melhora nas contas públicas.

Já o “não uso” pode acontecer por desinteresse da pasta em desenvolver projetos. O período Bolsonaro foi também muito rico em exemplos:

Havia interesse em conter o garimpo ilegal? Evitar o desmatamento e os incêndios? Salvar a vida animal? Impedir o genocídio de indígenas? Por isso, o Ministério gastou apenas 1% da verba que tinha.


NINGUÉM ABRIU A BOCA NA ÉPOCA DO PT?

Imagine se não, em plena época de antipetismo!

O defunto ao qual o perguntador tenta dar nova vida nasceu muito provavelmente na famigerada Revista Veja, na qual o colunista Reinaldo Azevedo, de tão fanatizado, não se importava em criar notícias enganosas.

Nesta, de 2014, vemos já no título que os 131 milhões de reais foram turbinados para 242,4 bi e que, de modo capcioso, usa a palavra “desviou”, sabendo que o leitor entenderia como “roubou”, mesmo que o jornalista não afirme isso em nenhum momento, no texto.

O Reinaldo fez uma conta em que somou os 131 bi (para ele dado como certo, porque era o que desejava) com o dinheiro do CPMF (o imposto do cheque), que existiu até 2007, e que, segundo ele, só poderia ser usado na Saúde.

É uma notícia totalmente falsa, como outros jornais demonstraram, mesmo sem existir à época as grandes agências de checagem de fatos.

A pequena agência “Mural” foi uma das pioneiras nessa tarefa:

É dela esta explicação:

“A partir das emendas à Constituição 21, de 1999, e 37, de 2002, as verbas deixaram de ser carimbadas para a saúde, e passaram a ser usadas também para custear a Previdência Social e programas de redução da pobreza. Ambas foram aprovadas pelo Congresso antes do início do governo Lula”.

O Felipe Neto, que também foi ferrenho antipetista, até cair a ficha, é outro que desmente a notícia do Reinaldo:

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