Por que os socialistas em sociedades capitalistas livres não usam sua liberdade para se unir em comunas, começar a viver como socialistas e parar de incomodar o resto de nós?

 Aula de História

Além dos motivos práticos e legais que o impedem, existe um obstáculo ainda maior: vocês não permitiriam que isso acontece.

A mesma coisa que acontece em escala maior (boicotes diversos contra os países socialistas) ocorreria em escala menor contra tais comunas.

Assim como os EUA e diversos países mantêm bloqueio econômico contra Cuba, muitos dentre os vizinhos da comuna se recusariam a fazer negócios com ela, seja comprando seus produtos ou vendendo-lhe mercadorias. A depender da quantidade de vizinhos faria tal bloqueio, isto seria suficiente para obrigar a comuna a buscar negócios bem longe, aumentando seus custos de transporte.

Assim como os EUA e diversos países praticaram guerras de agressão contra países socialistas (caso, por exemplo, da Nicarágua sandinista), vizinhos mais exaltados sabotariam os veículos da comuna que estivessem transportando mercadorias desta ou para esta, e em alguns casos ousariam invadir a própria comuna para depredar propriedade, praticar agressões ou roubar coisas.

Assim como os EUA e diversos países empregam táticas de propaganda para semear a discórdia em países socialistas, criar dissidências e provocar a emigração; também na realidade os vizinhos da comuna tentariam atrair os jovens com promessas de empregos bem pagos, diversão, sexo, qualquer coisa que fosse proibida ou restrita ou mesmo difícil de obter dentro da comuna.

De fato há vários exemplos bastante práticos de como reagiríamos à formação de uma comuna:

A Itália enviou a marinha de guerra para evacuar e dinamitar uma plataforma marítima onde se formou uma comuna. Foto do elenco do filme La Isola della Rosa.

Tonga enviou a marinha de guerra para prender os habitantes da República de Minerva e anexar a ilha artificial que estavam construindo sobre um atol desabitado localizado em águas internacionais. Com isso o país ganhou milhares de quilômetros de mar territorial.

Mas o maior exemplo da ânsia que nossa sociedade capitalista tem de destruir tudo que não seja capitalismo se encontra aqui:

Sabe de onde vem o termo “comunismo”? Exatamente do modo de vida dos povos primitivos, que tinham os bens “em comum”. O comunismo é uma tentativa de adaptar o “comunismo primitivo” para que algo parecido funcione em uma sociedade moderna.

Pois quem foram as grandes vítimas da expansão do capitalismo? Os povos primitivos, caçadores-coletores ou semissedentários, vivendo sob o comunismo primitivo. Povos “civilizados” (isto é, que já haviam evoluído a organização social em larga escala, construindo cidades e entidades políticas) conseguiram se sair melhor e em geral sobreviveram. Povos primitivos mal sobreviveram, ou sobreviveram com grandes perdas demográficas. Quando o Brasil foi descoberto, estima-se que havia por aqui no mínimo cinco milhões de indígenas (em sua maioria concentrados na bacia do Rio Paraná e na Amazônia), hoje restam menos de quinhentos mil e há menos de trinta anos eles eram menos de 200 mil. Povos inteiros desapareceram. Lembra do povo goiá, que deu nome ao estado de Goiás? Não, você não lembra porque eles foram extintos sem que se registrasse uma palavra de sua língua ou se pintasse uma figura que os representasse.

A tentativa de criar uma comuna receberia a mesma hostilidade que os civilizados, em média, têm contra os índios (e acredita, eu conheço muita gente que os considera abaixo de animais). Qualquer modo de vida fora do capitalismo é tachado de atrasado, primitivo, animalesco, errado etc. Ninguém concebe que se possa sequer desejar viver de outra forma que não no seio do capitalismo e toda tentativa de construir uma alternativa é vista como necessariamente uma perversão.

Em 1890 tentou-se criar no interior do Paraná uma comuna anarquista, a Colônia Cecília, que implantaria todas as ideias mais radicais dos anarquista, inclusive o amor livre e a posso comum de todos os bens.

Colônia Cecília – Wikipédia, a enciclopédia livre
Localização do município de Palmeira no estado do Paraná Colônia Cecília foi uma comuna experimental baseada em premissas anarquistas . A colônia foi fundada em 1890, [ 1 ] no município de Palmeira , no estado do Paraná , [ 2 ] por um grupo de libertários mobilizados pelo escritor e agrônomo italiano Giovanni Rossi (1859-1943). [ 3 ] [ 4 ] A fundação da Colônia Cecília foi a primeira tentativa efetiva de implantação do ideário anarquista no Brasil (1889). Rossi, ideólogo e escritor anarquista, adepto da "acracia" [ nota 1 ] , foi instigado pelo músico brasileiro Carlos Gomes a procurar D. Pedro II com o propósito de instaurar uma comunidade capaz de propulsionar um "novo tempo", uma utopia baseada no trabalho, na vida e no amor libertário. [ 3 ] Interessado na colonização do Brasil, D. Pedro II atendeu ao pedido e escreveu a Rossi oferecendo as terras a serem ocupadas pelos italianos ( 300 alqueires na região meridional brasileira ). A doação, de fato, não aconteceu: logo depois da oferta pelo imperador, foi instaurada a república brasileira , que não reconheceu concessões de terras outorgadas a estrangeiros pelo império deposto. Rossi não desistiu. Comprou as terras por meio da "Inspetoria de Terras e Colonização". [ 3 ] O Brasil recebeu uma grande quantidade de imigrantes, principalmente italianos, no final do século XIX . Se na Itália a condição de vida no campo fundamentou a emigração, no Brasil, tanto nas fazendas de café quanto nos núcleos coloniais, a realidade não era muito diferente, estando distante de um processo de caráter inovador: o imigrante se inseria no Brasil como proletário em potencial. Foi nesse meio social que o anarquismo se propagou no Brasil. [ 5 ] [ nota 2 ] Os primeiros colonos chegaram em 1890 e construíram um barracão coletivo que instalava, provisoriamente, as famílias para, em seguida, cada uma tratar de construir a sua própria casa. Nessa época, o contingente populacional na Colônia Cecília era de quase trezentas pessoas, incluindo o próprio Rossi. Ao final de 1891, a explosão populacional superava a estrutura disponível: 20 casas de madeira e um barracão comunitário. A lavoura e a pecuária não produziam o suficiente para a subsistência dos colonos, grande parte de origem operária e sem conhecimentos agrícolas para implementar uma produção em maior escala. [ 3 ] [ nota 3 ] O primeiro obstáculo enfrentado pelo núcleo anarquista foi o modo de organizar o trabalho. Aos artesãos, foram designadas tarefas semelhantes às que já realizavam. Mas quanto aos lavradores , Giovanni Rossi já pressentira que encontrariam dificuldades em razão da diferença entre o solo brasileiro e o italiano . [ 3 ] Ao concluírem a construção das habitações coletivas e individuais e dividirem racionalmente o trabalho entre os 150 colonos, eles se depararam com um fato real: o milho , que era ideal para aquela região, não nasce do dia para a noite. Com o dinheiro que trouxeram, conseguiram subsistir, comprar mantimentos, instrumentos para a lavo

Os colonos sofreram ataques dos vizinhos, que viam seu modo de vida como pecaminoso, suas mulheres foram estupradas por homens da região, já que, por praticarem o amor livre, supostamente não teriam motivo para resistir a qualquer abordagem. Seus jovens foram seguidamente atraídos com promessas de empregos nas cidades vizinhas, causando uma perda contínua de mão de obra, que impedia a execução das tarefas mais simples. Os fazendeiros da região se recusavam a empregar homens residentes na colônia e os comerciantes se recusavam a vender-lhes. Em menos de três anos o experimento terminou, tendo inclusive causado mortes por inanição.

Então não tente ser descolado, sugerindo que a gente se isole para vivermos "do nosso jeito". Qualquer tentativa de fazer isso só facilitaria para que você e outros soubesse onde jogar as bombas.



Jose Geraldo Gouvea 

Licenciado em História 

https://qr.ae/pr9GCV

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