Qual é resposta adequada para problemas de segurança pública?

 Não é uma ofensa, mas por que a esquerda parece não ter uma resposta adequada para problemas de segurança pública? A educação é importante para diminuir a criminalidade, mas falar que vai aumentar a quantidade de livros parece mais uma esquiva.

A esquerda tem as respostas mais adequadas para a segurança pública, dentro de ambientes democráticos, e elas têm sido comprovadas na prática.

Entre essas soluções estão uma combinação entre:
  • O desarmamento radical da população (e, eventualmente, até da força policial)
  • Polícia comunitária, com mais proximidade, engajamento, colaboração e participação do cidadão
  • Câmaras corporais em policiais
  • Prisões em que o modelo da justiça punitiva-retributiva é substituído pelo da "justiça restaurativa", ou seja, a que que pensa nas partes afetadas (vítima, comunidade e o próprio infrator) e foca na reabilitação dos prisioneiros
  • Justiça criminal imparcial
  • Ocupação gratificante (seja como estudante ou trabalhador), motivadora, para a grande parte da população
  • Melhor distribuição de renda (redução da desigualdade social)
  • Campanhas de conscientização sobre necessidade social da conduta ética
  • Obviamente soluções de mais treinamento, de adoção de novas tecnologias, enfrentamento direto ao crime organizado, campanhas de prevenção, etc, nunca foram renegadas pela esquerda.

O FIASCO DAS SOLUÇÕES DA DIREITA NO BRASIL
  • O armamentismo
  • A militarização das instituições
  • Boicote às câmaras corporais em policiais
  • A superlotação em prisões
  • Último lugar no mundo no ranking da parcialidade da justiça criminal
  • Altas taxas de desemprego e a desmotivação de subempregos
  • Uma das piores taxas de desigualdade social
  • Difusão de pensamentos simplistas e, por isso mesmo, de alta aderência na opinião pública, do tipo “Bandido bom é bandido morto”

ALGUNS COMENTÁRIOS:

O governo Bolsonaro estimulou o armamento do cidadão, como se fosse possível armar apenas o “cidadão de bem”.

Cooptou motociclistas para o seu lado com motociatas. Explorados como auto-escravos (“desmotivação com subempregos”), acharam no banditismo uma opção bem justificada. Já vêm preparados para o crime, com motos rápidas, ágeis, e um providencial capacete para esconder a identidade – se bem que isso nem é preocupação para eles, como a foto mostra. De quebra, estabeleceram a má imagem e a desconfiança para todos os colegas motoqueiros.

E o governador bolsonarista de São Paulo.


As três primeiras soluções (desarmamento até da polícia, modelo de Polícia Comunitária e câmaras corporais) foram adotadas com algum grau de pioneirismo pela Inglaterra, conhecida por tender politicamente para a direita. Por isso mesmo, o sucesso dessas medidas tem peso ainda maior.


BRASIL, 142 / 142

O SISTEMA CRIMINAL É IMPARCIAL?

Mede se a polícia e os juízes criminais são imparciais e se discriminam na prática, com base no status socioeconômico, gênero, etnia, religião, origem nacional, orientação sexual ou identidade de gênero.


Nos primeiros lugares, estão os de sempre, alternando posições: Noruega, Finlândia, Dinamarca, Áustria, Suécia, Alemanha, etc.


WJP Rule of Law Index
Explore rule of law rankings for 142 countries in the WJP Rule of Law Index

RELACIONADOS:

Renato Chevalier
 · 1 ano
Por que no Brasil mais de 400 policiais são mortos todos os anos e o que fazer para mitigar este quadro?
1. Forte controle ao acesso de armas de fogo, sejam elas ilegais (contrabando) ou legais. 2. Condições sociais adequadas - eliminação da miséria, redução na desigualdade social e proteção social que minimize traumas emocionais (causados por imprevistos) que possam levar o cidadão a situações desesperadoras. Pessoas ocupadas com seu empregos e/ou estudos. 3. Condições culturais para a população - Minimamente um passo além do analfabetismo funcional e estímulo à prática ou consumo de literatura, artes plásticas, música, etc. Conscientização sobre a vida em sociedade através de campanhas públicas. 4. Polícia comunitária, que promove reuniões mensais com líderes do bairro. 5. Polícia desarmada, como passo ideal, depois de resolvidos os itens acima. Esses itens, mais ou menos, descrevem as condições do Reino Unido, onde apenas 5% de todo o contingente de policiais anda armado. Pode parecer coisa de maluco, mas há outros países com policiais desarmados. Islândia, Noruega e Nova Zelândia são outros exemplos. Não é que andem totalmente desarmados. Isso muda de um país para outro, mas em geral podem ter cassetete, spray de pimenta, aparelhinho de choque e algemas. Na Noruega é permitido ter uma arma no carro. O resultado é excepcional. No Reino Unido, entre maio de 2012 e abril de 2013 (não descobri dados mais recentes), apenas três vezes houve disparos de armas, e ninguém morreu. No ano anterior, apenas dois disparos haviam acontecido. Na Islândia houve apenas um tiro em toda a história da Polícia. Eu morei em Londres e a primeira sensação que tive ao ver policiais ao meu lado foi o de tranquilidade, de empatia, de alguém com quem se pode contar. Tão amigáveis que, contam, era tradição, na festa de passagem do ano, as mulheres beijarem os policiais. Uma vez eu estava em uma pequena sanduicheria quando todo mundo saiu correndo para fora, incluindo os funcionários, e eu distraidão de boca aberta. Alguém gritou alguma coisa em cockney, que eu não entendi, mas saí correndo assim mesmo. A Polícia chegou em, sei lá, uns dois minutos. Muito, muito rápido. Cercou a área para uma equipe mais preparada, mas logo chegou o autor da confusão - alguém tinha esquecido uma maleta. Pois é, problemas de terrorismo, que não temos por aqui - a não ser na Praça dos Três Poderes. O mesmo problema que causou a morte de um brasileiro por policiais em 2015. Eles também falham. E já houve relatos de corrupção e de racismo. Nada é perfeito. Mas, a esta altura, o que você quer saber é quantos policiais morrem por lá, não é? Entre 2007 e 2014, apenas dois policiais foram baleados. Um na Inglaterra e outro no País de Gales.
A primeira imagem é da área privativa de uma prisão norueguesa, que tem, por princípio, a reabilitação do preso para a vida social. Não há grades e os guardas andam desarmados. A de baixo é da “área privativa” de uma prisão brasileira, com seu objetivo punitivista. As prisões brasileiras ocupam o vergonhoso terceiro lugar no ranking mundial de superlotação. Área comum de uma prisão sueca: Área comum de uma prisão brasileira: Corredor das celas na Espanha: Corredor das celas no Brasil: Deu para entender? As prisões brasileiras podem ser comparadas a campos de concentração, porque quem entra não sabe exatamente quando sairá, mas tem grandes chances de nem sair vivo, ou então, de sair traumatizado o suficiente para não mais se reerguer na sociedade. Leia estes exemplos: * “O que acontece em Alcaçuz, localizada em Nísia Floresta, a 25 quilômetros de Natal, é uma morte lenta: presos são espancados, eletrocutados, insultados, privados de comida, privados de água, privados de exercer sua religião, e suas famílias são maltratadas quando vão visitá-los”. * A menina tinha 15 anos, menos de 40 quilos e um metro e meio de altura, quando foi presa por 26 dias em uma cela ocupada por mais de 20 homens. Como única fêmea, foi diariamente estuprada por muitos deles, que também a queimavam com cigarro e isqueiro durante seu sono. Para que se confundisse com os homens, os carcereiros cortaram curto o seu cabelo e ela era obrigada a ficar mais escondida, nos fundos. Para que não gritasse, durante os atos de violência, passaram a confiscar a sua comida, que só era liberada após as sessões de sexo. Três mulheres poderiam ter evitado ou reduzido o seu calvário: a delegada, que ordenou a sua prisão na cela masculina; a juíza, que sabia onde ela estava presa, mas assinou o auto de prisão em flagrante assim mesmo; e a governadora do Pará, que só depois de ver o escândalo crescer, baixou decreto proibindo a prisão de homens e mulheres na mesma cela – como se isso já não fosse proibido. * “Em cada transferência, é de praxe levar uma surra de carcereiros ou policiais; numa delas, o autor viu PMs introduzirem um cabo com fezes na boca dos presos; numa outra, recebeu golpes de um PM com luvas de boxe, que treinava socos em detentos”. Sistemas como os das prisões brasileiras se assemelham aos de campos de concentração, após a sentença condenatória do juiz, porque essa sentença será apenas o bilhete de entrada ao verdadeiro martírio. A sentença que deveria ser a plena punição para o crime cometido se abre a outras infinitas possibilidades de castigos ilegais, praticadas por gente sádica. Como os condenados aos campos de concentração, os prisioneiros brasileiros se veem cercados por gente que sente prazer no sofrimento alheio, o prazer mórbido com o castigo. A começar com os que estão soltos, como mostra este vídeo. Atenção no vídeo para o deboche de quem gravou a cena viralizada, que sem conhecer o caso, já julgou a pessoa humilhada como ladra (“Vai roubar agora?”) e ri satisfeito. (A acusação era de porte de entorpecentes.) O prazer na crueldade se instala em seus próprios companheiros de prisão e, incompreensivelmente, até nos que deveriam assegurar os direitos do preso: os carcereiros, os médicos, os cozinheiros, etc. Um dos quoranos que respondem a esta mesma pergunta dá a entender que os presos deveriam ficar felizes com três refeições ao dia. Não é bem assim: “...vem acontecendo de estarmos achando pedras e pedaços de ferro na comida. E quando vamos reclamar, o que escutamos é o seguinte: se quiser é essa que tem”. Comida estragada o que mais tem A impressão é que todos se sentem no direito de se vingar, em nome da sociedade – como se a sentença do juiz não valesse nada. As queixas em relação à negligência médica são frequentes, e não à toa: hoje doenças tratáveis matam mais que a violência nas prisões. A sujeira toma conta de tudo, fazendo com que ratos e baratas invadam as celas superlotadas. A falta de ventilação sufoca, em especial nas cidades mais quentes. Aliás, tenho publicada aqui no Quora uma conversa que, sem planejar, mantive com um prisioneiro. Veja link ao final. Mas o que importa: nosso sistema centrado na punição funciona melhor que os das prisões humanizadas, com quartos individuais equipados com televisor, frigobar, escrivaninha e banheiro privado? Sem grades nas janelas e sem guardas armados, mesmo que alojando criminosos considerados perigosos – condenados por crimes como homicídio, tráfico de drogas e violência sexual? Com luxos como o de praia particular, possibilidade de esquiar, jogar tênis? A resposta é NÃO. Na Noruega, a taxa de reabilitação chega a 80% (contra apenas 24% dos EUA). Na Suécia estão fechando prisões por falta de presos. A verdade é que o nosso modelo prisional, tal como o dos campos de concentração, deveria ser extinto porque não é digno da civilização humana. LEITURA COMPLEMENTAR: Entrevista pessoal com um prisioneiro:

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Gustavo Gayer - Preso dirigindo bêbado, acusado de homicídio e irmão de assassino

Descondenado?

Marielle