Em uma época em que nações decidem seu
futuro através das redes sociais, o ditado “diga-me com quem andas e te direi
quem és” precisa ser atualizado. Quando o assunto é Jair Bolsonaro, a famosa
frase poderia muito bem ser alterada para “diga-me o que twitas e te direi quem
és”.
Ao final do primeiro ano de seu
mandato, o presidente da República viu no Twitter seu maior (e pior ao mesmo tempo)
aliado. Foi através da rede social que o político disseminou seus ideais ao
longo da campanha presidencial, viralizando entre seus eleitores.
Entretanto, foi também nela onde se
envolveu em grandes polêmicas que marcaram o início de seu mandato. Desde o dia
1º de janeiro até o momento, Bolsonaro publicou mais de 2 mil vezes na rede
social, alternando ataques aos seus opositores a avanços promovidos por seu
governo ao citar aliados como por exemplo Tarcísio de Freitas, ministro da
Infraestrutura e Sergio Moro, ministro da Justiça.
Na retrospectiva de 2019, relembre com
base em suas publicações no microblog e também em outras redes sociais como
Instagram e Facebook quais foram os destaques do ano de Bolsonaro.
Janeiro
Em libras, minha esposa tem a primeira
palavra durante a posse. Assista: http://youtu.be/FgbFCMHB0To
Impossível destacar o primeiro mês do
novo presidente da República em outro tweet que não este. No dia 1º, Bolsonaro
compartilhou o discurso que sua esposa, Michelle Bolsonaro, realizou durante a
cerimônia de posse.
A primeira-dama inovou duas vezes.
Primeiro por ter discursado antes de Bolsonaro e a segundo por se comunicar
através de libras, na tentativa de sinalizar que o novo governo seria
inclusivo.
O gesto, entretanto, logo foi relacionado
à primeira polêmica do mandato do presidente. Dias após a posse, o então
ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, extinguiu a secretaria de
inclusão social, diversidade e educação de surdos.
Coerente?
Fevereiro
Foram 3 cirurgias e mais de 1 mês no
hospital nestes últimos 5 passados. Finalmente deixamos em definitivo o risco
de morte após a tentativa de assassinato de ex-integrante do PSOL. Só tenho a
agradecer a Deus e a todos por finalmente poder voltar a trabalhar em plena
normalidade
O atentado sofrido por Bolsonaro
durante sua campanha em setembro de 2018, em Juiz de Fora (MG), ainda se
mostrava presente na rotina do presidente em fevereiro deste ano. No início do
mês, uma nova cirurgia precisou ser realizada para a retirada da bolsa de
colostomia.
O procedimento, realizado no Hospital
Albert Einstein, em São Paulo, durou aproximadamente sete horas. Na operação,
foram unidos o intestino delgado e o intestino grosso. Até então essa seria a
terceira cirurgia do presidente em decorrência do atentado. Ainda em 2019, Bolsonaro
passaria por mais uma, desta vez para a retirada de uma hérnia na região da
facada.
Durante sua recuperação, que durou 17
dias, Bolsonaro despachou diretamente do hospital, onde recebeu ministros e
apoiadores. Através do Twitter, compartilhou detalhes de sua rotina no hospital
e comentou assuntos como a Reforma da Previdência superficialmente.
Sua principal publicação no Twitter foi
sua alta, muito por conta do momento em que ficou internado. Segundo cientistas
políticos, os primeiros 60 dias de um governo são cruciais para a aprovação de
novas medidas, como a alteração das regras da aposentadoria, por exemplo.
O post foi curtido por mais de 80 mil
pessoas, muitas delas enaltecendo o retorno do capitão ao seu posto, enquanto
outras cobravam definições sobre o futuro da nação.
Março
Com a chegada do mês de março, Bolsonaro
promoveu seu maior deslize nas redes sociais até então. Durante o Carnaval, o
presidente divulgou no Twitter um vídeo supostamente gravado durante um bloco
de rua em São Paulo. O tweet foi removido horas depois, mas ainda assim se
tornou um marco na breve história do militar no poder.
“Não me sinto confortável em mostrar, mas
temos que expor a verdade para a população ter conhecimento e sempre tomar suas
prioridades. É isto que tem virado muitos blocos de rua no carnaval brasileiro.
Comentem e tirem suas conclusões”, disse o presidente.
A gravação mostrava dois homens
durante um bloco conhecido como “BloCu” em São Paulo. No vídeo, um deles é
visto urinando no outro, pouco depois de colocar o dedo no próprio ânus.
Caracterizada como escatológica e pornográfica, a publicação gerou forte
repercussão tanto no Brasil quanto no exterior, com milhares de usuários
criticando a posição de Bolsonaro ao usar sua rede social desta forma.
A polarização tomou conta das redes
sociais nos dias seguintes ao post. Entre as hashtags mais usadas, destaque
para #ImpeachmentBolsonaro” e “#BolsonaroTemRazão”. Além disso, Bolsonaro
publicou um novo tweet, desta vez perguntando “o que é golden shower?”, termo
descrito pelos usuários do microblog para explicar o ato de urinar em outra
pessoa. A publicação também viralizou rapidamente e foi apagada horas depois.
Abril
Após estudos técnicos que apontam para
a eliminação dos benefícios por conta de fatores como iluminação mais eficiente,
evolução das posses, aumento do consumo de energia e mudança de hábitos da
população, decidimos que não haverá Horário de Verão na temporada 2019/2020.
Em abril, Bolsonaro realizou uma
conturbada para Israel, onde afirmou que o nazismo foi um movimento de esquerda
durante uma visita ao Centro de Memória ao Holocausto Yad Vashem. Além disso, o
presidente viu seus filhos criticando no Twitter ninguém menos que o grupo
radical islâmico Hamas e demitiu o então ministro da Educação, Ricardo Vélez
Rodríguez.
Apesar de tantos problemas, a
publicação que marcou o mês do presidente foi relacionada ao horário de verão.
No dia 5, Bolsonaro anunciou a descontinuação da medida em decisão baseada após
recomendação do Ministério de Minas e Energia.
Segundo a pasta, o horário de verão
não apresentava mais efetividade na economia de energia elétrica. Além disso, um
estudo mostrou o quanto a mudança de horário afetava negativamente o relógio
biológico dos brasileiros.
Como a maioria dos posts do presidente,
a publicação dividiu opiniões entre apoiadores do horário e opositores. Mais de
67 mil pessoas curtiram o tweet e quase 10 mil debateram sobre o assunto.
O horário de verão foi criado em 1931
e aplicado no país em anos irregulares até 1968, quando foi revogado. A partir
de 1985, foi novamente instituído e vinha sendo aplicado todos os anos, sem
interrupção.
Normalmente, o horário de verão
começava entre os meses de outubro e novembro e ia até fevereiro do ano
subsequente, quando os relógios deveriam ser adiantados em uma hora em parte do
território nacional. No dia 25, Bolsonaro assinou o decreto extinguindo a
mudança.
Maio
Chocolates. Foi desta forma que Jair
Bolsonaro e o ministro da Educação, Abraham Weintraub, explicaram o congelamento de 30% do orçamento de
todas as universidades públicas do país, tema que desencadeou uma série de
protestos por todo o Brasil, a maior até então no mandato do novo presidente.
Diante da pressão popular após o
anúncio do MEC, que paralisou pesquisas científicas e bolsas acadêmicas de
milhares estudantes, Bolsonaro transmitiu sua tradicional live de quinta-feira
nas redes sociais para acalmar os ânimos. A maneira, porém, não acalmou
ninguém.
Weintraub levou 4 caixas com 25
chocolates cada, representando o orçamento das universidades nacionais. "A
gente está pedindo simplesmente que, três chocolatinhos, desse s 100 chocolates, três chocolatinhos e meio. Três
chocolatinhos e meio. Esses 3 chocolatinhos e meio a gente não está falando
para a pessoa que vai cortar. Não está cortado. Deixa para comer depois de
setembro. É só isso que a gente tá pedindo. Isso é segurar um pouco”, disse.
No Facebook do presidente, mais de 82
mil pessoas reagiram à transmissão. O vídeo rapidamente viralizou nas redes
sociais, tornando-se mais um ponto negativo do mandato de Bolsonaro, que optou
por tratar um assunto importante de forma infantil.
Junho
Quem deixa de ter acesso a armas de
fogo com leis de desarmamento, o cidadão que quer apenas se proteger ou o
criminoso, que, por definição, não segue as leis? O direito à legítima defesa
não pode continuar sendo violado! Nem todo mundo possui condição de ter
seguranças armados.
Em junho, Bolsonaro viajou para o
Japão, onde participou de uma série de reuniões com chefes de Estado do G-20. A
visita, entretanto, foi ofuscada por um escândalo envolvendo um militar que
viajava em um avião da FAB que dava apoio à comitiva do presidente.
O sargento Manoel Silva Rodrigues, de
38 anos, foi preso na Espanha com 39
quilos de cocaína na bagagem. Ao saber do caso, Bolsonaro se manifestou
através do Twitter e recebeu milhares de críticas.
Julho
Já no mês seguinte, Bolsonaro fez mais
um desafeto. Durante sua live semanal, se referiu ao pai do presidente da Ordem
dos Advogados do Brasil (OAB), Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira, enquanto
comentava o trabalho da entidade durante a investigação de Adélio Bispo, autor
da facada no então candidato nas eleições presidenciais.
Em nome da classe jurídica, a OAB foi contra
uma nova apuração dos advogados de Adélio, enfurecendo Bolsonaro. “Um dia, se o presidente da OAB quiser saber como é
que o pai dele desapareceu no período militar, conto pra ele. Ele não vai querer
ouvir a verdade. Conto pra ele. Não é minha versão. É que a minha vivência me
fez chegar nas conclusões naquele momento”, disse.
Fernando desapareceu em fevereiro de
1974 durante o governo Médici, depois de ter sido preso por agentes
Destacamento de Operações de Informação - Centro de Operações de Defesa Interna
(DOI-Codi). Segundo a Comissão da Verdade, ele foi "preso e morto por
agentes do Estado brasileiro".
Em uma live transmitida nas redes
sociais enquanto cortava o cabelo, Bolsonaro deu sequência ao assunto. “O
contato não seria com ele, seria com a cúpula da Ação Popular de Recife. E eles
resolveram sumir com o pai do Santa Cruz. Essa foi a informação que eu tive na
época sobre esse episódio”.
Em resposta, a OAB emitiu uma nota
onde diz que "o Estado Democrático de Direito e tem entre seus fundamentos
a dignidade da pessoa humana, na qual se inclui o direito ao respeito da
memória dos mortos." O caso foi levado pelo presidente da OAB, Felipe
Santa Cruz, ao Supremo Tribunal Federal (STF), que deu duas semanas para
Bolsonaro esclarecer a declaração.
Agosto
- Lamento que o presidente Macron
busque instrumentalizar uma questão interna do Brasil e de outros países
amazônicos p/ ganhos políticos pessoais. O tom sensacionalista com que se
refere à Amazônia (apelando até p/ fotos falsas) não contribui em nada para a
solução do problema.
Em agosto, Bolsonaro protagonizou a
pior crise internacional do Brasil nos últimos tempos. Diante de uma série de incêndios que atingiram a Floresta
Amazônica, o presidente precisou lidar com críticas externas e mostrou
falta de tato na diplomacia.
Presidente da França, Emmanuel Macron
se destacou entre os críticos mais ferrenhos à política ambiental de Bolsonaro.
Segundo ele, o brasileiro mentiu sobre os compromissos climáticos do país, ameaçando
inviabilizar o acordo entre União Europeia e Mercosul, selado meses atrás.
No dia 22, Macron defendeu em seu
Twitter que as queimadas fossem tema da próxima reunião da cúpula do G7. A
declaração não foi bem aceita por Bolsonaro, que também usou a rede social para
rebatê-la.
Bolsonaro lamentou que o francês
"busque instrumentalizar uma questão interna do Brasil e de outros países
amazônicos p/ ganhos políticos pessoais. O tom sensacionalista com que se
refere à Amazônia (apelando até p/ fotos falsas) não contribui em nada para a
solução do problema".
Logo em seguida, Bolsonaro fez um
comentário em uma publicação que mostrava uma comparação entre os dois
presidentes e suas respectivas esposas. "Não humilha cara. Kkkkkkk", disse
o brasileiro, referindo-se às idades de
Michelle e a mulher de Macron.
"O que eu posso dizer? É muito
triste. Mas é triste para os brasileiros. Eu acredito que as mulheres
brasileiras devem estar envergonhadas do presidente", disparou o francês.
Após a troca de ofensas, a cúpula do
G7 determinou que o grupo, formado por Alemanha, Canadá, Estados Unidos,
França, Itália, Japão e Reino Unido, enviassem US$ 22 milhões para ajudar no
combate às chamas. Entretanto, Bolsonaro afirmou que só aceitaria o apoio caso
se Macron retirasse os insultos feitos contra ele.
Setembro
O AGU se manifesta sobre quem compete
legislar sobre IDEOLOGIA DE GÊNERO, sendo competência FEDERAL. Determinei ao
@MEC_Comunicacao , visando princípio da proteção integral da CRIANÇA, previsto
na Constituição, preparar PL que proíba ideologia de gênero no ensino
fundamental.
Bolsonaro se revoltou contra a
Advocacia-Geral da União (AGU), que se manifestou a respeito da possibilidade
de estados criarem leis que proibissem a “ideologia de gênero” nas escolas do
país.
Irritado com o posicionamento da AGU, o
presidente determinou que o MEC criasse um projeto de lei para selar a
proibição. A publicação no Twitter gerou forte repercussão nas redes sociais, abrindo
um novo debate sobre tema.
O órgão já havia feito uma
manifestação a respeito do assunto em 2017, durante o governo de Michel Temer.
Da mesma forma, a AGU defendia que somente a União e o Congresso Nacional podem
determinar tais leis, e não o Estado.
Outubro
CANALHAS!
No final de outubro, Bolsonaro se
descontrolou novamente, desta vez durante um desabafo contra a TV Globo.
Enquanto realizava uma viagem à Ásia, o presidente foi tema de uma reportagem
da emissora, que ligou seu nome à morte
da vereadora Marielle Franco (PSOL), no ano passado. Visivelmente irritado,
o presidente ofendeu a emissora e ameaçou a renovação de concessão no futuro.
O Jornal Nacional noticiou uma
reportagem apontando que um dos suspeitos da morte da vereadora se reuniu com o
ex-policial militar Ronnie Lessa, outro
acusado pelo crime, no condomínio do presidente, no Rio de Janeiro. Vale
destacar que a visita ocorreu no mesmo
dia da morte da vereadora.
Ao entrar, o homem teria dito ao
porteiro do local que iria na casa de Bolsonaro. No dia e horário, entretanto, o
nome do presidente consta na lista de presença da Câmara dos Deputados em
Brasília. A citação do nome tornou obrigatório que o Supremo Tribunal Federal
investigue o caso.
"É uma canalhice o que vocês
fazem. uma ca-na-lhi-ce, TV Globo.
Uma canalhice fazer uma matéria dessas em um horário nobre, colocando sob
suspeição que eu poderia ter participado da execução da Marielle Franco, do
PSOL”, disse.
"Temos uma conversa em 2022. Eu
tenho que estar morto até lá. Porque o processo de renovação da concessão não
vai ser perseguição, nem pra vocês nem para TV ou rádio nenhuma, mas o processo
tem que estar enxuto, tem que estar legal. Não vai ter jeitinho pra vocês nem
pra ninguém", disparou o presidente.
Novembro
Amantes da liberdade e do bem, somos a
maioria. Não podemos cometer erros. Sem um norte e um comando, mesmo a melhor
tropa, se torna num bando que atira para todos os lados, inclusive nos amigos.
Não dê munição ao canalha, que momentaneamente está livre, mas carregado de
culpa.
Um dos maiores temores de Bolsonaro se
tornou realidade em novembro. O Supremo Tribunal Federal determinou por 6 votos
a 5 o fim da possibilidade de prisão de condenados em segunda instância, um
entendimento adotado em 2016. Os ministros julgaram que ninguém pode ser
considerado culpado até o trânsito em julgado, quando todos os recursos são
realizados.
A medida beneficiou diretamente o
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde abril de 2018 após ser
condenado em duas instâncias no caso do tríplex do Guarujá (SP). O
ex-presidente cumpriria pena de 8 anos, 10 meses e 20 dias.
O petista deixou a prisão dias depois
da decisão. Em resposta, Bolsonaro destacou apenas um trecho de um discurso
realizado na cerimônia de formatura de agentes da polícia federal. “Não dê
munição ao canalha, que momentaneamente está livre, mas carregado de culpa”, pediu.
Dezembro
Jair M. Bolsonaro ? @jairbolsonaro
- O afastamento de Sérgio Camargo da
Fundação Cultural Palmares se deu por causa de DECISÃO JUDICIAL. Caso nosso
recurso seja vitorioso, EU O RECONDUZIREI à presidência da Fundação.
15:20 - 13 de dez de 2019
Para completar seu primeiro ano como
presidente da República, Bolsonaro fez uma publicação onde reafirmou sua
opinião sobre uma pauta fortemente defendida pela esquerda. O post trata-se de
um vídeo onde o jornalista Sérgio Camargo fala sobre o dia da Consciência
Negra.
“Tem que acabar o dia da Consciência
Negra, porque é uma data que da qual a esquerda se apropriou para propagar
vitimismo e ressentimento racial. Isso não é uma data do negro brasileira, é
uma data de minorias empoderadas pela esquerda, que propagam ódio e divisão
racial”, disse.
Camargo foi eleito presidente da
Fundação Cultural Palmares e é conhecido por dar declarações polêmicas. O
jornalista chegou a dizer que o Brasil tem “racismo Nutella” e também que a
“escravidão foi benéfica para os descendentes de negros”.
Entretanto, ele teve sua nomeação
suspensa ( https://br.noticias.yahoo.com/justica-suspende-nomeacao-de-presidente-da-fundacao-palmares-que-falava-em-racismo-nutella-204336275.html ) após determinação do juiz federal
substituto Emanuel José Matias Guerra, da 18ª Vara Federal de Sobral (CE).
Segundo ele, a nomeação de Camargo ao cargo "contraria frontalmente os
motivos" que levaram à criação do instituto.
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