Se o governo Lula foi tão bom, se os governos do PT foram tão bons, qual foi o legado deixado ao Brasil em 16 anos de mandato?
Outro dia fiquei de boca aberta com a pergunta que me fizeram:
Se o Lula tirou o Brasil do Mapa da Fome, por que você ajuda nesse esquema de doação de quentinhas? Ele não acabou com os famintos?
No raciocínio absurdo do meu interlocutor ele concluía que o Brasil nunca saiu do Mapa da Fome, porque, em 2022, as ruas estão cheias de famintos.
Se a pergunta do Thiago contém esse tipo de consideração ilógica, então será necessário esclarecer que legados não são valores permanentes, a não ser como exceção. Governos que os recebam podem fazer com que cresçam, aproveitando o impulso tomado no governo anterior, podem permitir que caiam ou até mesmo que sejam destruídos.
Outra coisa que precisa ser explicada aqui é que o autor da pergunta mistura as bolas: o governo do Lula foi muito bom; o da Dilma, nem tanto.
E tem mais, como este quadro com o histórico do nosso PIB Per Capita mostra:
Melhor neste outro, no detalhe, já acertado um equívoco (Lula saiu em 2010, não em 2011). Mas deixo o anterior como visão geral do grande crescimento.
É um erro falar em 16 anos de mandato para o PT.
Quando muito, seriam 8 de Lula e 4 de Dilma.
Já no início do quarto ano dela, ano eleitoral, iniciou-se uma campanha sórdida, com ataques misóginos e cheios de mentiras para que ela não se reelegesse. Mesmo assim, ela foi reeleita.
Irritado, o perdedor Aécio Neves prometeu que ela não governaria um dia sequer e foi o que aconteceu. A esse boicote se seguiu uma campanha covarde pelo impeachment. Por isso, há no quadro uma faixa cinza de decadência geral entre 2014 e meados de 2015, não aceita nem por Dilma (que só governava no papel) nem por Temer, o vice golpista.
Então, qualquer opinião que acrescente essa faixa na conta de Dilma, certamente não será isenta.
Para quem, como o próprio Thiago, acredita que as mazelas do Brasil atual (inflação, fome, desemprego, desigualdade, etc.) são consequências de políticas de governos passados, esse quadro “desenha” algo frequentemente esquecido: o custo do impeachment. Além, obviamente, do estrago dos governos posteriores a Dilma.
E, finalmente, a parte de índices do GINI, PISA, etc, acho que já foi bem informada pelo Ricardo Ricnaris
Então me concentro em resumir na forma de lista alguns pontos importantes desse legado:
O LEGADO
- O Brasil fora do Mapa da Fome
- Cerca de 40 milhões a menos na lista de extrema miséria
- O desmatamento da Amazônia em queda
- Doenças erradicadas ou mantidas erradicadas através de alto índice de imunização: sarampo, poliomielite, difteria e rubéola. Algumas doenças foram controladas da mesma forma: H1N1, coqueluche, tuberculose, meningite, febre amarela e hepatite.
- O Programa Mais Médicos, que beneficiava 63 milhões de pessoas (e que poderia ter reduzido drasticamente o número de mortes pela Covid através da simples trabalho de conscientização dessas populações)
- Foram entregues 41.557 UBS (Unidades Básicas de Saúde) + 449 UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) que, com outros programas, foram capazes de desafogar a procura a hospitais públicos e reduzir as longas filas. Não faltaram hospitais para a Covid, mas sim campanhas educacionais à população, médicos e vacinas.
- Dívida externa (tida como impagável, antes do Lula) colocada sob controle
- Dívida líquida pública geral (União, Estados e Municípios) e Banco Central (BC) em linha descendente:
Relembrando a evolução recente da dívida líquida
- Dinheiro em caixa: pegou US$ 36,2 bi e entregou US$ 375,8 bi. Mais de 10 vezes mais em reservas internacionais.
- Deixou o acordo com o BRICS bem azeitado, assim como o acordo com o Mercosul
- Com base em todos esses acordos, subiu as exportações de US$ 16,6 bi para 64 bi. Parte considerável com a venda de serviços de empreiteiras, hoje destruídas pela Lava Jato.
- Em 2014 a taxa de desemprego era uma das mais baixas do mundo: apenas 4,7%. No quadro, a Globo espertamente aumentou a barra do Brasil, para que seus telespectadores não percebessem que só perdíamos para a Coreia do Sul nesse quesito
- Linha ascendente de matrículas no ensino superior
- E muito mais. Mas, acima de tudo, deixou exemplos de que é possível avançar muito, sem abrir mão dos direitos fundamentais dos brasileiros.
Comentários
Postar um comentário