Atraso na vacinação da população brasileira
Há muitas pessoas que não compreendem ou não aceitam por que tantos críticos do governo Bolsonaro alegam que um dos grandes erros dele foi o atraso na vacinação da população brasileira, acompanhado, para acrescentar insulto à injúria, de uma maciça campanha de descredibilização das vacinas e relativização da importância da vacinação desde antes mesmo de elas estarem disponíveis no Brasil. Por isso, resolvi consultar os dados oficiais de vacinação contra a covid-19 disponíveis nas plataformas mais críveis e respeitadas (OurWorldinData [1] , Worldometers e o Ministério da Saúde do Brasill), coletá-los e organizá-los para que fique claro e visível como um córrego que, sim, houve um atraso intolerável na obtenção e aplicação dos imunizantes, bem como na adesão de parte da população a elas.
Um atraso particularmente impactante justo porque ele se deu no período em que a covid-19 explodiu com intensidade e virulência inéditas no Brasil, matando muito mais gente do que vinha matando até o início de 2021, bem quando já havia imunizantes disponíveis que teriam, sem sombra de dúvidas, reduzido dramaticamente o número de contaminados que teriam ido a óbito.
Comparemos o Brasil com o Reino Unido, usado como parâmetro por ter sido o que começou a campanha de imunização contra a pandemia o mais cedo possível (no começo de dezembro de 2020, muito embora Bolsonaro, nos debates do 1º turno, tenha alegado mais de uma vez que "ninguém no mundo comprou vacinas em 2020").
- RITMO DE AVANÇO DA VACINAÇÃO: Quantos % da população do país havia recebido ao menos uma vacina contra a covid-19, no respectivo dia. Reparem como a campanha de vacinação, além de começar mais de 45 dias depois do Reino Unido, demorou muito a dar uma arrancada e ser efetuada "pra valer". Pode-se ver que, até mais ou menos a metade de junho de 2021, a vacinação brasileira oscilava entre 0% e 0,3% por dia. Um ritmo lentíssimo. Na verdade, ficou abaixo dos 0,2% por dia até 25 de março de 2021. O grosso da imunização acabou acontecendo de julho de 2021 em diante, quando a terrível 2ª onda da pandemia já estava quase acabando naturalmente. Quando veio a 3ª onda, já com a população em grande parte imunizada, o número de mortes foi tremendamente menor.
- Taxa acumulada de pessoas que haviam recebido pelo menos 1 dose da vacina contra covid-19 até setembro de 2021: reparem o quanto o Brasil começou atrasado em relação ao Reino Unido e, por ter-se abastecido de poucas vacinas nos primeiros meses, além de notórios gargalos e erros de logística, ficou ainda mais atrasado bem no apogeu da pandemia, quando as vacinas eram de urgência urgentíssima. O Brasil só começou a afunilar sua disparidade para com o Reino Unido em junho de 2021, mas a essa altura mais de 200 mil brasileiros (incluindo 2 amigos meus da faculdade) já haviam morrido de covid-19 só em 2021.
- Diferença do % de pessoas já com o esquema inicial de vacinação completo (2 doses), entre o Brasil e o Reino Unido, em comparação com o aumento do número cumulativo de mortes por Covid-19 no Brasil nas respectivas datas: reparem que a grande disparada da mortandade da pandemia foi entre janeiro de 2021 e agosto de 2021, porém em todo esse período a discrepância da taxa de vacinação completa entre o Brasil e o Reino Unido foi só se aprofundando, se aprofundando e se aprofundando, porque a vacinação do Brasil vinha acontecendo em ritmo extremamente mais devagar. Quando a diferença começou a se reduzir, a pandemia já estava de novo em uma daquelas fases relativamente brandas entre ondas bastante mortais.
Por fim, não esqueçamos que a vacinação no Brasil só começou lenta atrasada, mas não tããããão lenta e atrasada assim, por causa do grande e quase solitário investimento do Governo Estadual de São Paulo, chefiado pelo então governador Dória, o qual apostou as fichas na Coronavac, produzida por cientistas brasileiros em conjunto com a empresa chinesa Sinovac e extremamente desacreditada, menosprezada e até demonizada ("a vachina comunista", lembram?) por Bolsonaro e seus lacaios.
Devido à extrema ineficiência e falta de um senso de urgência e de dever de prover a vacinação da população o mais cedo e rapidamente possível, o Brasil fechou contratos para a compra de outros imunizantes depois de dezenas de outros países que já haviam deixado "no gatilho" promessas de compra e venda de vacinas dos mais diversos fornecedores.
Por isso, o retardatário Brasil ficou recebendo quase a conta gotas os lotes de imunizantes nos primeiros meses da vacinação contra a pandemia. Não esqueçam que os primeiríssimos lotes de outras vacinas que não a coronavac, produzida aqui mesmo a contragosto do Presidente Bolsonaro, só chegaram em:
- 6 de fevereiro de 2021: 1º lote de vacinas da Astrazeneca/Oxford
- 29 de abril de 2021: 1º lote de vacinas da Pfizer
- 22 de junho de 2021: 1º lote de vacinas da Janssen
Quantas mortes será que foram causadas por todo essa estranha calma do Governo Federal? E isso não sou eu que digo, mas sim o presidente Jair Messias Bolsonaro em 19 de dezembro de 2020, quando alguns países no mundo já estavam não só comprando, mas APLICANDO vacinas contra a covid-19.
Notas de rodapé
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