O que você achou dos 6 primeiros meses de governo Lula? Superou suas expectativas?

 Um benefício para o povo brasileiro a cada 8 dias. Sem falar em queda da inflação, aumento do PIB, queda na fome, aumento no salário mínimo, etc.

Ao meu ver tem sido melhor do que minhas expectativas, mesmo porque eu, que não sou nenhum gado iludido que trata a mudança de um governo por outro de minha preferência como a panaceia e última chance de redenção da Pátria, não estava esperando muita coisa para o ano 2023, dados os antecedentes ruins (a começar pelo enorme rombo fiscal das aventuras eleitoreiras dos bolsonaristas em 2022) e as circunstâncias então presentes nada promissoras para a economia e a estabilidade em nível global.

Imaginava que, tendo de basicamente recuperar o status quo ante após anos de desmonte e desorganização das instituições pela "revolução regressista" do reacionarismo bolsonarista, além de enfrentar circunstâncias muito piores do que as do período 2003–2010, os primeiros meses do governo seriam basicamente de reconstrução com pouca ou nenhuma novidade significativa. Seria basicamente uma arrumação da casa, principalmente depois do caos que a oposição de direita radical tentou instalar em dezembro de 2022 e janeiro de 2023.

Mas não foi isso que houve: aconteceram algumas iniciativas realmente novas e positivas. Podemos, dentre várias outras, citar estas:

  • a efetivação de um novo arcabouço fiscal que trouxe muito mais credibilidade e previsibilidade, permitindo quase de imediato uma redução dos juros futuros;
  • o começo do preparo de uma reforma tributária há muito necessária;
  • a revisão parcial da tabela do IR;
  • alteração definitiva da política de preços da Petrobras que vinha sendo insustentável para o mercado consumidor brasileiro;
  • alteração do regime de metas de inflação para um modelo contínuo, atendendo a demandas de anos que provavelmente gerarão maior previsibilidade e percepção de estabilidade fiscal e monetária no futuro;
  • um segundo aumento do salário mínimo em maio (para além do aumento anual do começo do ano, que é o único obrigatório);
  • a assinatura de vários acordos comerciais com parceiros econômicos importantes como a China e a União Europeia;
  • a reabertura do Minha Casa Minha Vida que havia sido praticamente reduzido a valores desprezíveis nos anos prévios;
  • retomada do estoque regulador da CONAB, que permite reduzir o impacto de choques sazonais abruptos e imprevistos e o de flutuações do mercado internacional, dando maior tranquilidade ao orçamento das famílias comuns do Brasil;
  • a reinstalação do CONSEA, órgão que fora decisivo para organizar e coordenar as políticas de abastecimento nacional e de combate à fome, mas havia tido sua recriação vetada pelo Presidente Bolsonaro há poucos anos;
  • a criação e efetivação dum programa nacional de vacinação reforçado para encorajar o retorno do Brasil à posição de um dos países com maior cobertura vacinal do mundo, algo que foi totalmente solapado e posto a perder-se durante os governos Temer e, sobretudo, Bolsonaro;
  • medidas governamentais e legislativas para finalmente pôr na ordem do dia o fim do faroeste virtual da internet que vem causando cada vez mais atos ilícitos e violações bem concretas dos direitos de pessoas e da ordem pública também fora do mundo online, etc.;
  • medidas governamentais para redução temporária do preço dos carros, estimulando um setor que vinha perigando falir em massa;
  • resgate das bolsas de pesquisa que incentivam a produção científica, que estavam absurdamente defasadas e reduzidas numericamente, tanto revisando o valor delas quanto aumentando a oferta delas;
  • projetos de lei para redução de impostos em algumas áreas importantes da economia, a exemplo do setor aéreo;
  • revisão pente-fino há muito devida dos benefícios dados às pessoas a título de Bolsa-Família (antes Auxílio Brasil), corrigindo a situação irregular de muitos milhares de famílias que estavam recebendo dois benefícios ao alegar falsamente que moravam sozinhos, e retirando do programa muitos que não fazem jus a ele, ao mesmo tempo em que o programa foi ampliado para quem realmente merece e precisa dele, chegando a um valor médio maior por família do que em todos os anos anteriores.

E tem mais, bem mais, inclusive uma enxurrada de medidas já tomadas ou em planejamento que destroçam diretamente o discurso batido "Nine e sua turma querem destruir o agro e implantar o cumunixmu!", essa narrativa assusta-trouxa dos sensacionalistas da extrema direita que não conseguiriam ganhar muitos votos se as pessoas, um belo dia, deixassem de sentir pânico, ansiedade e desconfiança tão facilmente:

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O resultado de tudo isso é objetivo e concreto, independente de opinião pessoal: o Brasil começou o ano com perspectiva de crescimento quase 0%, segundo a maioria dos analistas do dito "mercado", e seis meses depois já se começa a falar na possibilidade de crescimento entre 2,5% e 3% — tudo isso com inflação menor do que previsto outrora.

Analistas já projetam desempenho da bolsa de valores acima dos 130 ou 140 mil pontos até o fim do ano. Desde 2019, a Standard & Poor's não mudava a perspectiva da nota de crédito do Brasil para positiva, citando explicitamente a política econômica do novo governo como uma das razões para isso. Foi uma melhoria de prognóstico expressiva em menos de 6 meses completos.

Investidores não vão ter prognósticos tão melhores assim sobre um país que julgassem estar sendo governado por "revolucionários comunistas" e "socialistas perigosos" que rapidamente trarão instabilidade e decadência ao país. Fora da bolha histérica, militante e polarizada das redes sociais, as pessoas tomam decisões com pragmatismo e realismo. O Brasil está aos poucos resgatando sua respeitabilidade e construindo uma imagem mais atrativa e promissora.

Considerando tudo isso, o que vem acontecendo tem me surpreendido positivamente em sua grande maioria, e onde Lula tem se saído pior mesmo foi em gafes ocasionais sobre assuntos de pouca relevância prática para o Brasil, como suas derrapadas retóricas realmente lamentáveis ao tratar da Venezuela.

Estas, por sinal, foram bem didáticas para mostrar a enorme diferença entre a base de esquerda e centro-esquerda que sustenta Lula e a de direita que se apegou a Bolsonaro no governo anterior, pois pudemos ver em primeiríssima mão várias críticas e ressalvas às declarações de Lula vindas do próprio campo progressista pró-governo. Não houve bajulação incondicional e irrestrita.

Na maioria dos discursos, no entanto, Lula tem sido bastante veemente e até mais convicto ideologicamente do que nos seus governos anteriores, mas também bastante razoável, moderado, racionalmente embasado e civilizado no modo de se expressar (como quando se manifestou sobre as exigências ambientais excessivamente inflexíveis da União Europeia ao Mercosul; sobre a independência apartidária das relações internacionais e do comércio do Brasil para lidar com igual respeito com o Ocidente e o Oriente; sobre a comprovada inutilidade e potencial contraprodutividade do isolamento completo de países sem democracia — algo que nunca funcionou em décadas, em países como Cuba e Irã, penalizando só seus povos mesmo —; e sobre a necessidade de se manter alguma válvula de escape para o começo de negociações formais de paz no conflito Rússia-Ucrânia, sob pena de ele acabar escalando para algo muito maior e pior).

Ter um Chefe de Estado que faz viagens, encontros e discursos para neles agir e se expressar como um Chefe de Estado normal já é um alívio e uma melhora fantástica em relação ao que víamos assistindo e escutando nos últimos anos.

E, sim, eu considero uma excelente notícia que o Presidente da República está viajando mais muito, como é mesmo uma das funções primordiais de um Chefe de Estado (não preciso relembrar-lhes que o Presidente, num regime presidencialista, é Chefe de Estado, e não só de Governo, n'é?!), para encontrar-se com altas autoridades e investidores de outros países que são parceiros comerciais e estratégicos relevantes do Brasil, realizando negociações que potencialmente darão frutos econômicos, geopolíticos e diplomáticos para o país. Presidentes devem fazer é esse trabalho político mesmo, até porque a governança, a administração mais direta e específica deve ficar mesmo é a cargo dos ministros e secretários.

Desde janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já esteve em mais de uma dezena de países e teve mais de trinta encontros com outros chefes de Estado, resultando diretamente em 111,5 bilhões de reais em novos investimentos para o Brasil, de acordo com dados da Secretaria de Comunicação Social.

Quanto renderam as viagens internacionais de Lula em investimentos
Desde janeiro, presidente já esteve em mais de uma dezena de países e teve mais de 30 encontros com outros chefes de Estado

É um avanço depois de termos tido anos desperdiçados com um Presidente que passava mais tempo enfurnado no Palácio do Planalto, conversando ali perto dele com puxa-sacos incondicionais no "cercadinho" ou passeando de moto, jet ski e lancha ao lado de seu fã-clube, em praias e cidades interioranas de norte a sul, dentro do próprio País, sem nenhum propósito econômico ou político claro que fosse de interesse público, e não de interesse pessoal ou, no máximo, partidário/grupal.

Também me pareceu excelente o fato de que, conforme arguido pelo próprio direitista e candidato a substituto de Bolsonaro na liderança da direita reacionária, Tarcísio de Freitas, e recentemente também corroborado pelo também direitista Ronaldo Caiado, o Presidente Lula tem tomado decisões sem deixar simpatias e antipatias pessoais e político-partidárias as determinarem e feito negociações e se aberto de bom grado para discussões com os governadores e prefeitos de todos os matizes ideológicos e cores partidárias, abandonando a explícita influência da preferência político-ideológica e transferência da polarização eleitoral para o âmbito político-administrativo que marcaram a gestão Bolsonaro no Governo Federal, ao lidar com governos estaduais e municipais. Isso é sinal de maturidade e espírito republicano e promove a estabilidade política.

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Felizmente minha vida e a de minha família são boas o bastante para nós não precisarmos muito do Estado. Por isso costumamos votar pensando mais nos outros que dependem mais do Poder Público e são mais impactados por decisões (más ou boas) das instituições públicas do que nós.

Dito isso, posso dizer com absoluta certeza que aqui em casa passamos a comer mais carne e a gastar menos com gasolina desde o começo do ano. Estamos comendo mais gastando um pouquinho menos que antes. Além disso, foi muito bem-vindo descobrir que estamos passando bem menos raiva e nos estressando bem menos ao ligar a TV para ver o que o Presidente e os Ministros de Estado estão dizendo.  



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